OMS: medicina tradicional nem sempre é segura (Português África)

31 agosto 2009

No Dia Africano da Medicina Tradicional, agência da ONU alerta para a falta de segurança de alguns aspectos ligados à prática; OMS afirma que o diagnóstico e tratamento incorrectos podem ter efeitos nocivos sobre a saúde dos utentes e prejudicar a segurança dos doentes.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O uso generalizado e crescente da medicina tradicional em África tem criado problemas de saúde pública, já que muitas pessoas acreditam que os medicamentos tradicionais são naturais e seguros.

A afirmação consta de uma nota do director regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para o continente, Luís Sambo, por ocasião do Dia Africano da Medicina Tradicional, que se comemora esta segunda-feira.

Efeitos Secundários

Sambo indica que muitos pacientes em África pensam que medicamentos tradicionais não representam qualquer risco para a saúde. Contudo, todo o medicamento, natural ou não, pode ter efeitos secundários.

É por isso que o tema das comemorações este ano é "Medicina Tradicional e Segurança dos Doentes".

O director regional da OMS afirma na nota que o diagnóstico e o tratamento incorrectos com produtos não comprovados podem ter efeitos nocivos sobre a saúde dos utentes e prejudicar a segurança dos doentes.

A presidente da ONG moçambicana, "Fórum da Medicina Tradicional", Fátima Mangore, disse à Rádio ONU, de Maputo, que a falta de segurança associada à prática é causada muitas vezes por oportunistas que tentam tirar proveito da popularidade desse tipo de medicina.

Luvas de Protecção

"Essa medicina é importante na medida em que faz a maior cobertura de saúde das comunidades em África. Em Moçambique essa cobertura é de cerca de 60%, comparativamente à medicina formal. Infelizmente, existe essa questão da segurança do paciente da medicina tradicional. A medicina tradicional fazendo parte da sociedade é também uma área onde os oportunistas se aproveitam", disse.

A agência da ONU recomenda a tomada de medidas práticas, incluindo a melhoria das condições de higiene na recolha e preparação dos medicamentos tradicionais, uso de luvas de protecção e o descarte de instrumentos médicos usados, para minimizar infecções.

 

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