Civis em situação desumana na RC Africana (Português África)

26 agosto 2009

Segundo o Acnur, esses deslocados vivem isolados, sofrem de doenças e passam fome; eles tiveram de fugir à insegurança prevalecente no norte e nordeste do país.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado para Refugiados, Acnur, descobriu mais de 2 mil civis a viverem em condições desumanas a cerca de 400 km a norte de Bangui, a capital da República Centro-Africana.

Uma nota da agência da ONU divulgada esta quarta-feira indica que a maior parte deles sofre de doenças e passa fome.

Insegurança

Annika Sjoberg, uma funcionária do órgão que já trabalhou com refugiados e deslocados internos na República Democrática do Congo, Chade e Côte d'Ivoire, disse nunca ter visto pessoas a viverem em tais circunstâncias. Ela foi uma das primeiras a visitar a localidade.

Os deslocados disseram ao Acnur que tiveram de fugir de suas casas após ataques de grupos armados em Novembro do ano passado e depois em Abril último. Devido à insegurança prevalencente na área, eles têm vivido em total isolamento. A maior parte pertence ao grupo étnico Ngamas de Kabo.

O pessoal da agência da ONU, que só teve acesso aos deslocados na segunda semana de Agosto, indicou que eles têm acesso limitado a água potável e são forçados a beber ao lado do seu gado. Devido à falta de saneamento e higiene, eles enfrentam doenças como a malária e diarreia.

Humanitário

Numa entrevista à Rádio ONU antes da sua participação numa reunião do Conselho de Segurança, em finais de Julho, o representante de Ban Ki-moon para o Chade e a República Centro-Africana, Victor Angelo, descreveu a situação de segurança neste último país como grave.

"Toda a zona nordeste da República Centro-Africana está numa situação de grande insegurança em que todo o trabalho humanitário foi suspenso e o que nos choca é que a comunidade internacional e a imprensa internacional têm ignorado esta situação."

Segundos dados da ONU, mais de 125 mil pessoas, na sua grande maioria mulheres e crianças, foram forçadas a fugir de suas casas no norte da República Centro-Africana desde 2005.

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