Abuso infantil na América Latina

14 agosto 2009

Artigo divulgado em boletim da Cepal e do Unicef revela que crianças e adolescentes até 18 anos sofrem diariamente maus tratos físicos e psicológicos; No Brasil, Disque Denúncia já recebeu 51.972 denúncias de a violência física e psicológica contra Crianças e Adolescentes.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova York.

Um artigo divulgado na última segunda-feira revelou que crianças e adolescentes de até 18 anos, da América Latina e do Caribe, sofrem diariamente maus tratos físicos e psicológicos.

O estudo, publicado em um boletim da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, Cepal, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, foi baseado em pesquisas feitas em 16 países.

Formas de educação

A apuração também comprovou que uma alta porcentagem de adultos acredita que agressões físicas ou psicológicas são formas comuns de educação e socialização.

De acordo com as autoras do texto, a psicóloga Soledad Larraín e a sociologista Carolina Bascuñan, ambas do Unicef, o principal motivo que leva à violência doméstica contra crianças é o fato de que o pai ou a mãe passaram por uma experiência similar durante a infância.

Abuso crescente

Algumas pesquisas nacionais indicam que o abuso contra crianças é crescente, e raramente denunciado.

No Uruguai, um estudo conduzido em 2008 pelo Ministério de Desenvolvimento Social revelou que 82% dos adultos relataram algum tipo de violência física ou psicológica contra crianças dentro de suas casas.

No Brasil, de acordo com dados do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, o Disque 100, das 104.544 denúncias recebidas de maio de 2003, quando o serviço começou a funcionar, até julho de 2009, 51.972 são referentes a violência física e psicológica.

Prevenção

A gerente de projetos do Unicef no Brasil, Helena Oliveira, contou à Rádio ONU, de Brasília, como a violência doméstica contra crianças e adolescentes pode ser prevenida:

"O diálogo é fundamental. A atenção a outras estratégias de socialização da criança também é muito importante. Uma preocupação é ter metodologias de atenção e de abordagem", diz a gerente de projetos do Unicef no Brasil.

Helena Oliveira disse ainda que a agência produziu, no início deste ano, um vídeo educativo com a personagem de história em quadrinhos Mônica, embaixadora do Unicef, que mostra que a violência doméstica não é um processo educativo, e que a criança precisa crescer sem violência.

"É fundamental ser cada vez mais enfático sobre essas formas de educar crianças, que só têm a reproduzir violência. A criança não nasce violenta, ela se torna na medida em que são incentivadas essas práticas como coisas naturalizadas", recomenda Helena.

Segundo a gerente de projetos, o Unicef tem como meta agir com estratégias de prevenção e redução da violência doméstica.

As autoras do estudo dizem que o abuso infantil pode causar danos psicológicos e físicos, problemas de desenvolvimento e, em alguns casos, pode levar à morte.

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