Guiné-Bissau quer reduzir circuncisão feminina (Português Brasil)

3 agosto 2009

Relatório apresentado na ONU, nesta segunda-feira, revela que 44% das mulheres do país lusófono sofreram mutilação genital.

Carlos Araújo & Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O governo da Guiné-Bissau afirmou que pretende reduzir pela metade o número de casos de mutilação genital feminina no país.

Pelo levantamento, 44% das mulheres e meninas na Guiné são vítimas de circuncisão feminina.

Relatório

A declaração é parte de um relatório sobre a situação das mulheres que vivem no país de língua portuguesa, no oeste da África.

O documento foi apresentado, nesta segunda-feira, aos membros da Comissão das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, Cedaw.

Representantes do governo afirmaram que a Guiné-Bissau pretende reduzir a prática com a ajuda da ONU, de líderes comunitários e ONGs.

Além da mutilação, o país africano também registra casos de violência doméstica, escravidão e preconceito generalizado contra mulheres.

Discriminação

A presidente do Instituto estatal da Guiné-Bissau para a Mulher e a Criança, Iracema do Rosário, disse à Rádio ONU que a discriminação impede a participação efetiva das mulheres na vida política do país.

"Sabemos que existem tabus que dizem que as mulheres devem ficar em casa para fazerem os trabalhos domésticos. Esses tabus ajudam o processo de discriminação impedindo as mulheres de alcançarem postos de decisão. Outros tabus culturais que impedem o avanço da mulher guineense são a mutilação genital femenina e o casamento precoce e forçado", afirmou.

O presidente da ONG Liga dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins, disse à Rádio ONU que as mulheres continuam a ser vítimas da tradição, principalmente, em regiões rurais.

"Na Guiné-Bissau, as mulheres na sua grande maioria, salvo situações de mulheres urbanas, não têm o direito de herdar os bens dos maridos no caso de morte. A mulher ou aceita uma nova relação, um novo casamento, com um dos familiares do falecido marido ou é expulsa do lar familiar".

Além da Guiné-Bissau, a Cedaw está analisando a situação de mulheres em países como Timor-Leste, Argentina, Dinamarca, Japão e Espanha, entre outros.

O encontro termina nesta sexta-feira.

 

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