ONU debate discriminação das mulheres em Timor

30 julho 2009

Relatório do país à comissão da ONU revela que as mulheres timorenses têm uma média de sete filhos e são vítimas de discriminação nas áreas de educação, saúde e participação política.

[caption id="attachment_167609" align="alignleft" width="175" caption="Relatório analisa timorenses"]

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A existência de um sistema patriarcal em Timor-Leste que atribui diferentes funções e responsabilidades a homens e mulheres é o principal obstáculo à igualdade de género no país.

A afirmação consta do relatório apresentado esta quinta-feira pelo governo de Timor-Leste à Comissão da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, Cedaw.

Taxa de Fertilidade

O documento revela que as mulheres timorenses continuam a ser vítimas de discriminação a vários níveis. 25% de mulheres são analfabetas contra 22% de homens.

O número de mulheres desempregadas é também superior ao dos homens. Quando trabalham elas gozam de salários mais baixos e menores perspectivas de promoção profissional.

O relatório indica ainda que as mulheres têm uma participação pouco significativa na esfera política, aos níveis nacional e local.

O documento realça várias preocupações na área de saúde, particularmente sáude reprodutiva. Existe um problema grave de malnutrição entre as grávidas, a taxa de fertilidade é elevada, cerca de sete filhos por mulher e a mortalidade materna é de 800 por cada 100 mil nascimentos.

Violência Doméstica

A secretária de Estado de Timor-Leste para a Promoção da Igualdade, Idelta Rodrigues, que apresentou o relatório, disse à Rádio ONU, em Nova Iorque, que as mulheres são também as principais vítimas da violência doméstica.

"É um problema que afecta quase todas as mulheres timorenses, particularmente as que vivem nas zonas rurais. É preciso fazer mais campanhas de educação não só para as mulheres mas também para toda a população, incluindo maridos e filhos, para mudar a mentalidade e opinião do público no sentido de reforçar a prevenção da violência doméstica."

Várias ONGs timorenses que promovem a igualdade de género participam também na reunião da Cedaw. A representante da Rede das Mulheres, Laura Lopes, disse à Rádio ONU, que o fenómeno de discriminação começa na nas escolas.

Mulheres Parlamentares

"A maior parte das raparigas vive em zonas rurais. Como as escolas ficam geralmente a uma grande distância, as familias preferem educar os rapazes. As raparigas acabam por ficar em casas por uma questão de segurança."

Duante a apresentação do relatório, o governo destacou progressos em algumas áreas, incluindo a adopção de novas leis para combater a discriminação e o aumento do número de mulheres parlamentares.

 

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