10% do petróleo da Nigéria é roubado todos os anos (Português África)

13 julho 2009

Relatório do Unodc indica que a produção petrolífera do país oeste-africano é fortmente afectada por roubos, vandalismo e violência no Delta do Niger; receitas do contrabando alimentam a corrupção e financiam actividades de grupos militantes.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

10% do petróleo produzido pela Nigéria, cerca de 55 milhões de barris, é roubado e traficado todos os anos.

A afirmação consta do último relatório do Escritório da ONU contra Drogas e Crime, Unodc, sobre a região oeste-africana, publicado na semana passada.

Rotas do Tráfico

O "Tráfico Transnacional e o Estado de Direito na África Ocidental: Uma Avaliação das Ameaças" estima que a produção petrolífera na Nigéria é fortemente afectada por roubos, vandalismo e violência no Delta do Níger, onde quase todo o petróleo nigeriano é produzido.

O documento identifica os traficantes e as rotas do tráfico, o valor do petróleo roubado e a ameça do flagelo para a Nigéria e toda a sub-região.

O relatório indica que grupos criminosos associados a movimentos militantes no Delta do Niger são responsáveis pela maior parte dos roubos e contrabando.

O petróleo é roubado por duas vias: pela construção de um tubo secundário e ilegal que é ligado ao oleoduto da companhia. Os criminosos podem também causar uma explosão e destruir o oleoduto oficial, roubando o petróleo no período que antecede a intervenção das autoridades.

O petróleo roubado é geralmente vendido na Nigéria e em países da região como o Gana, Camarões, Côte d'Ivoire e mesmo na África do Sul.

Corrupção

O Unodc não tem uma ideia clara sobre a quantidade do petróleo traficado que atinge o mercado internacional. As receitas deste crime são usadas para financiar grupos militantes e pagar funcionários corruptos.

Segundo a agência da ONU, militares, representantes de empresas privadas e funcionários locais estão envolvidos no crime.

O relatório afirma que o contrabando de petróleo constitui uma ameaça grave para o Estado de direito na Nigéria e na África Ocidental, desestabilizando a grande potência económica da sub-região.

 

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