Cai número de apreensão de drogas na África Ocidental
Unodc revela que políticas que cooperação internacional ajudou a reprimir a atuação de traficantes da droga e o fluxo de cocaína através da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.*
O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, Antonio Maria Costa, afirmou que a diminuição de apreensões de drogas na África Ocidental pode ser um indicador de queda nos fluxos da cocaína após cinco anos de intenso crescimento.
A declaração foi feita nesta quarta durante o lançamento do Relatório Mundial sobre Drogas 2008, em Washington, nos Estados Unidos.
Alerta
De acordo com o representante da agência no Brasil, Bo Mathiasen, a queda pode ser explicada através de um grande esforço internacional para reprimir a atuação dos traficantes.
"Todo o tráfico até ou oriundo da Guiné-Bissau se tornou foco de maior atenção. E isso dificultava o tráfico de cocaína a partir daquela país. E isso funcionou porque passou a alertar as pessoas na alfândega, na polícia para o risco particular daquele país, por exemplo", afirmou.
A droga encontrada na África é geralmente originária da Colômbia e do Peru e tem como país de trânsito o Brasil.
Instabilidade
Segundo a agência da ONU, o caso da Guiné-Bissau, um país de língua portuguesa na África Ocidental, é um exemplo de instabilidade política e violência causadas pelo tráfico de drogas.
O chefe do Unodc, Antonio Maria Costa, disse que se a Europa quiser ajudar a África, ela deveria começar por reduzir seu apetite por cocaína. Em todo o mundo, existem pelo menos 16 milhões de usuários, 890 mil deles são brasileiros.
Em 2007, 83% de todas as apreensões de cocaína na África foram feitas no oeste e no centro do continente. Senegal liderou as operações. Cabo Verde, Guiné, Mali e Guiné-Bissau são os que lideram a lista de trânsito da droga.
Mais da metade das pessoas presas em Portugal acusadas de participar de tráfico de drogas, no ano passado, era da África Ocidental. Cerca de 52% de Cabo Verde e 12% de guineenses.