ONU: impacto da crise durará muitos anos

24 junho 2009

Ban Ki-moon disse a uma cimeira sobre a crise económica que a ajuda ao desenvolvimento não é luxo ou caridade; ele revelou ainda ter escrito aos líderes do G-8, pedindo-os para tomarem medidas concretas de ajuda aos pobres.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o impacto real da pior crise económica que o mundo conheceu em décadas poderá prolongar-se por muitos anos.

Ele falava esta quarta-feira, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, na abertura de uma cimeira de alto nível sobre os efeitos da crise sobre o desenvolvimento.

Pobreza

Ban afirmou que para a maior parte dos países não existe qualquer sinal de recuperação no horizonte.

O Secretário-Geral indicou que milhões de famílas estão a ser empurradas para a pobreza e 50 milhões de empregos poderão ser perdidos este ano. Ele disse também que cerca de mil milhão de pessoas passam fome todos os dias.

Ban Ki-moon afirmou que mais do que nunca o mundo precisa das Nações Unidas. Ele revelou que acaba de enviar uma carta aos líderes do G8, pedindo-os para tomarem medidas concretas e específicas de apoio aos pobres e vulneráveis.

Promessas

O grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia reune-se no próximo mês na Itália.

Ban disse que a actual crise financeira não pode servir de pretexto para o abandono de promessas. Ele indicou que segundo algumas estimativas, a ajuda anual a África conhece um déficit de pelo menos US$ 20 mil milhões em relação às promessas feitas durante a cimeira do G-8, em Gleneagles, em 2005.

Ban Ki-moon disse que a ajuda aos países pobres não é uma caridade ou um luxo, mas um imperativo de desenvolvimento.

O ministro das finanças de Moçambique e chefe da delegação do país à cimeira, Manuel Chang, disse à Rádio ONU, que o seu governo espera a adopção de medidas concretas de ajuda aos países pobres.

"O objectivo principal da política económica em Moçambique é o combate e a redução da pobreza absoluta. E para esse efeito precisamos de concentrar todos os recursos possíveis para levar a cabo essas acções. Gostaríamos que a questão da crise mundial fosse resolvida para podermos implementar as nossas políticas e conseguirmos alcançar as metas de desenvolvimento do milénio que nos comprometemos há algum tempo" disse.

A cimeira termina na sexta-feira, dia 26.

 

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