OIM: migrantes somalis são vítimas de abusos

23 junho 2009

Relatório do órgão indica que cerca de 20 mil migrantes do Corno de África são traficados todos os anos para a África do Sul; abusos incluem intimidação, agressões físicas e em alguns casos violações sexuais.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um número crescente de homens da Somália e da Etiópia que imigram ilegalmente para a África do Sul são vítimas de abusos, exploração e estigmatização desde que saem de casa até atingirem o país de acolhimento.

A afirmação consta de um relatório da Organização Internacional para Migrações, OIM, lançado esta terça-feira em Genebra.

Traficantes

O documento basea-se em entrevistas com cerca de 800 indivíduos, incluindo migrantes, representantes comunitários, funcionários governamentais e membros da sociedade civil em sete países de origem, trânsito e destino.

Segundo a OIM, os migrantes do Corno de África estabelecem-se na África do Sul ou então usam o país para viajarem para a Europa, Estados Unidos e Austrália.

O estudo revela que os migrantes sofrem violações de direitos humanos por parte de traficantes, criminosos locais e mesmo funcionários estatais que os deviam proteger.

Os abusos incluem intimidação, roubos, agressões físicas e em alguns casos, violações sexuais.

Impunidade

O relatório indica que vários países continuam a deter e condenar migrantes, enquanto os traficantes gozam de quase total impunidade.

Segundo dados da OIM, pelo menos 20 mil etíopes e somalis são traficados todos os anos do Corno de África para a África do Sul. Em média, eles pagam cerca de US$ 2 mil pela viagem.

Grande parte dos migrantes viaja em barcos pouco seguros das cidades de Mogadíscio ou Kismayo, no sul da Somália, para os portos de Mombassa, no Quénia, Dar Es Salam, na Tanzânia ou Mocimboa da Praia, em Moçambique, e depois para o seu destino final na África do Sul.

 

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