Refugiados: Esperança em Campo

19 junho 2009

Com apoio do Acnur, refugiados se tornam jogadores profissionais de futebol em um time de Brasília, o Brazsat.

[caption id="attachment_160942" align="alignleft" width="175" caption="Fernando, Ali e Solomon"]

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Dados divulgados nesta semana pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, revelam que o mundo tem 16 milhões de refugiados - a maioria são de países em desenvolvimento. Outros 26 milhões fogem da violência em seu próprio país. Um projeto recente do Acnur, está trazendo de volta a esperança para algumas dessas vítimas.

Jordânia

Foi em um campo para refugiados na Jordânia que o iraquiano Ali Abu Taha passou parte da adolescência. Em um ambiente marcado pela guerra e pelo futuro incerto, Ali fazia do futebol uma distração, ainda que no deserto e com bola improvisada.

"Na Jordânia não tinha campo bom, era tudo duro, não tinha bola. (Ficava) só matando o tempo, jogando todos os dias, me machucando. Todos os dias, a minha mãe me gritava: "Por que você está jogando bola aqui, por que?", relata.

Em setembro de 2007, por meio de um programa do Acnur, Ali Abu Taha se mudou para o Brasil. O destino, a capital federal. O jovem, hoje com 20 anos, viu o futebol de menino virar profissão: ele tem contrato assinado com um time da segunda divisão de Brasília, o Brazsat. Durante um treino, Ali falou do passado e comemorou a oportunidade de um futuro melhor.

Brazsat

"Fui para o campo de refugiados e depois de quase cinco anos lá, vim para o Brasil, graças a Deus. Aqui é cheio de paz e tem um povo alegre, que ajuda muito as pessoas. Estou muito feliz porque consegui uma porta para uma saída na minha vida. Imagine, estar jogando bola aqui, encontrei meu sonho, pois esperava muito jogar futebol profissional e não consegui jogar no Iraque. E encontrei aqui no Brasil, que eu achava que era muito difícil de jogar e agora estou treinando mais, porque nasceu um sonho comigo e agora já nasceram outros sonhos na minha vida", conta.

O Brazsat Futebol Clube é o primeiro time a firmar parceria com a ONU e o Acnur e por consequência, o primeiro clube a contar com refugiados no quadro de jogadores. O treinador do Brazsat, Alex Sander, comenta a performance em campo do iraquiano.

"Bora, bora, saí aí, vamos, Ali, vamos, Ali, marca, marca, boa, Ali!"

Alex Sander explica como as dificuldades sofridas por Ali no campo de refugiados da Jordânia refletem no desempenho do jogador.

Dificuldades

"O Ali ficou cinco anos em um campo de concentração, jogando bola em uma terra com pedras. Ele tem 20 anos e a idade que ele teve para desenvolver todo o potencial que ele tem, ele foi privado disso. Se fôssemos comparar, de repente na bola ele tem 16, 17 anos. Mas isso não quer dizer que ele não tenha qualidade. Ele é atacante, então ele é solícito, ele não tem bola perdida, ele é muito raçudo e aparece sempre para o jogo.", detalha.

Alex Sander também treina Solomon Kallon, refugiado da Serra Leoa. O africano está aprendendo a falar português, mas comenta, em inglês, que está muito feliz com a experiência.

Segundo Solomon, o futebol brasileiro é bastante diferente do africano e no Brazsat ele tem a oportunidade de aprender novas técnicas do esporte.

A parceria do Alto Comissariado da ONU para Refugiados também trouxe um novo destino para o colombiano Fernando Herrera. Depois de jogar em alguns clubes no sul do Brasil, ele é agora o mais novo colega de Ali e Solomon. Herrera destaca que o apoio do Acnur é constante:

Esperança

"Aqui não tem muita discriminação com os refugiados. Eu me adaptei bem porque todo mundo trata de igual para igual. Perguntam como é que as coisas estão, se eu estou bem aqui, se já estou me acostumando", diz.

Fernando Herrera tem como ídolo o astro Ronaldo. Já para o palestino Ali Abu Taha, é o recomeço de vida no Brasil que serve de inspiração.

"Aqui é a terra da felicidade, aqui é muito lindo. Ninguém vai encontrar país como este. Eu acho que é o melhor país do mundo."

Neste sábado, 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, a equipe do Brazsat participa na cidade de São Paulo, de um torneio de futebol organizado pelo Acnur.

 

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