Economia mundial deve encolher ainda mais em 2009

27 maio 2009

Revisão das Projeções sobre a Situação Econômica Mundial sugere que redução será de 2,6%; países em desenvolvimento serão os mais afetados pela crise.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque*.

A economia mundial deve encolher 2,6% em 2009, segundo o relatório "Projeções sobre a Situação Econômica Mundial", publicado pela ONU, nesta quarta-feira, em Nova York.

A revisão para baixo da expectativa de crescimento ocorre após uma expansão de 2,1% no ano passado e de quase o dobro deste número entre 2004-2007.

Segunda Guerra

De acordo com o relatório da ONU, a situação atual é resultado da crise financeira mais severa desde a Segunda Guerra Mundial.

A crise também vai atingir ainda mais trabalhadores migrantes.

Pelo documento, os países em desenvolvimento, especialmente na África, na Ásia e na América Latina, serão os mais afetados.

A previsão para o continente africano é de uma desaceleração de 0,9%. Um número semelhante às perdas que podem ser registradas a América Latina e no Caribe (1%).

O economista da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, Renato Baumann, disse à Rádio ONU, de Brasília, que as exportações latino-americanas sofrerão uma retração.

"Seja do lado das exportações, remessas ou investimentos, a previsão é de que haverá retração forte no suprimento de divisas. O que consolida a percepção de que na América Latina existem realidades distintas em economias ao norte e ao sul do Canal do Panamá", afirmou.

Ainda em 2009, o comércio mundial resgistará uma queda de mais de 11%, a maior desde 1930.

O cenário mais pessimista ocorre na Ásia em desenvolvimento, onde o volume de exportação pode cair pela metade.

Pela primeira vez em décadas, a China registrou uma queda de 23% no volume de suas exportações, se comparado ao desempenho do ano passado.

África

O número de pobres na África também pode crescer em no mínimo mais 12 milhões de pessoas. Na Ásia, o número deve ser quatro vezes maior, e o caso mais grave será o da Índia.

Mas para o economista da Cepal, Renato Baumann, países que negociam com a China, como no caso de Angola, podem obter mais oportunidades apesar da crise.

"Várias economias africanas têm se beneficiado desta nova postura chinesa no cenário internacional. O petróleo de Angola tem características próximas ao petróleo chinês e por isso é mais adequado às unidades de refino existentes na China", afirmou.

Para os economistas, que compilaram o relatório, caso as medidas fiscais implementadas por governos deem certo, o mundo poderá obter uma leve recuperação no próximo ano.

*Apresentação: Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

 

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