Especial: Gripe A(H1N1)

22 maio 2009

A doença afeta mais 11,1 mil pessoas em 42 países; até sexta-feira 22 de maio, 86 pessoas haviam morrido, a maioria no México; OMS diz que resposta do mundo não está sendo exagerada e que a prevenção bem feita pode ajudar a conter o vírus.

Mônica Villela Grayley & Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova York.*

A Organização Mundial da Saúde divulgou, pela primeira vez, em 24 de abril que um vírus sobre o qual ainda se tinha pouca informação estava causando mortes no México e já havia afetado pessoas no país vizinho, Estados Unidos.

Na época, chamada de gripe suína, a doença matou adultos saudáveis sem nenhum histórico de enfermidades sérias.

Equipe

O caso chamou a atenção da OMS e outras agências da ONU, como a FAO, a Organização para Agricultura e Alimentação, que imediatamente despachou uma equipe de especialistas ao México para obter mais informações.

Naquele momento ainda se pensava que a infecção estava ocorrendo através de contato com porcos contaminados como explicou à Rádio ONU, de Genebra, o especialista da OMS, Carlos Dora.

"O que eles estão investigando no México as peculiaridades. Houve uma epidemia de gripe suína no México. E alguns contaminados disseram ter tido contato com porcos ou criação de porcos e por isso talvez tenha passado para os humanos"disse.

Animais

Mas não demorou muito, para os cientistas descobrirem que a doença não estava passando de animais para humanos, mas sim de pessoa para pessoa.

Com a prova na mão, a OMS decidiu trocar o nome da gripe para Influenza A(H1N1) e iniciar uma campanha de esclarecimento sobre as formas de contaminação.

Comer carne de porco e ter contato com criação de suínos não estava entre os fatores de risco.

Dias após o surto ter sido registrado no México, começaram a aparecer casos de contaminação nos Estados Unidos. Estudantes que tinham viajado ao país latino-americano reclamaram dos sintomas da gripe.

A Escola St. Francis, no distrito de Queens, decidiu fechar as portas por três dias.

Nesta mensagem, o colégio diz que por causa dos sintomas em alguns alunos as aulas haviam sido suspensas e que qualquer um com suspeita de resfriado deveria procurar o médico.

Sintomas da Gripe

Apesar de ter surgido no México e de o país ainda concentrar o maior número de vítimas fatais da doença, com o passar do tempo, o vírus A(H1N1) acabou contaminando mais pessoas nos Estados Unidos.

Até sexta-feira, 22 de maio, o país tinha quase metade dos 11168 casos de contaminação em todo o mundo. Mas o número de vítimas fatais nos Estados Unidos não ultrapassa 10.

Apesar de a nova gripe já ter se espalhado para 42 países, o continente africano ainda não foi afetado.

Carlos Dora, da OMS, acha que a situação geográfica e do continente africano e os poucos contatos que mantém com o México podem ser o motivo.

"A meu ver existem duas razões principais. A primeira é que África está no hemisfério sul. Epidemiologicamente os casos de gripe aumentam no inverno. Então ainda não chegou o momento para o aumento dos casos no hemisfério sul. A outra razão é que muitos dos casos iniciais tiveram origem no México. O México tem muito mais ligação com os Estados Unidos, Canadá, América do Sul e com partes da Europa do que com África" afirmou.

A diretora do departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, Maria Neira, disse à Rádio ONU, de Genebra, que o órgão está ajudando o continente a se preparar para a eventualidade do surgimento dos primeiros casos.

Confirmação de Casos

"Eu não diria que ninguém está fora de perigo. Acho que estamos a tomar as medidas para preparar o continente para o caso da confirmação de casos em África. Os países africanos tem sistemas sanitários que não estão tão bem preparados como em outras regiões do mundo e por isso a OMS tem de os ajudar. De momento não temos a confirmação ou pesquisa que demonstre transmissão em África" afirmou.

Com notícias sobre casos suspeitos na vizinha África do Sul, que testaram negativo, Moçambique começou a se preparar para a eventualidade de a gripe chegar ao país.

O porta-voz do ministério moçambicano da saúde, Leonardo Chavana, disse à Rádio ONU, de Maputo, que o governo criou uma equipe de choque que abrange apenas a capital, numa primeira fase.

Moçambique

"O que nós estamos a conceber como uma equipa de choque é dentro da cidade de Maputo termos uma equipa constituída por um médico e quatro enfermeiros que vão estar permanentemente em alerta. Se um caso suspeito for notificado, essa equipa pode ser activada e dirigir-se ao campo ou ao hospital onde vão ser isolados os prováveis casos e proceder ao seu tratamento" disse.

O tema da gripe A(H1N1) acabou se tornando a prioridade da Assembleia Mundial da Saúde, encerrada em 22 de maio.

A diretora-geral da agência, Margaret Chan, disse que o sistema não tem condição de providenciar vacinas e antivirais para toda a população mundial.

Sars e Gripe Aviária

Mas segundo ela, a OMS e outras agências de saúde estão melhor preparadas hoje do que na década passada por causa do enfretamento à síndrome respiratória aguda grave, Sars, e à gripe aviária.

Se comparadas, a nova gripe não é tão letal quanto à doença causada pelo vírus H5N1. Mas a tranmissão também se dá de forma diferente. Enquanto a gripe aviária é passada de aves para seres humanos, a nova gripe é transmitida pelo ar e entre seres humanos.

Vacinas

Ao ser perguntada se a opinião pública está se preocupando em excesso com a nova doença, a especialista da OMS, Maria Neira respondeu.

"Neste momento onde a mensagem para as comunidades e sobretudo para os responsáveis da saúde é de manter uma vigilância epidemiológica para saber como se vai comportar este vírus, acho que não é o momento de saber se houve ou nao uma reacção exagerada. Penso que é preciso manter esta vigilância do vírus, que é a mensagem que a OMS defendeu desde o primeiro dia".

De acordo com a OMS, as novas doses da vacina contra a influenza A(H1N1) devem estar prontas num período que pode levar de seis meses a um ano.

*Reportagem: Eduardo Costa, Leda Letra e Michelle Alves de Lima.

 

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