ONU prevê redução no fluxo de capitais directos
Relatório da Unctad indica que após um volume recorde de US$ 1,9 trilhão em 2007, o fluxo de investimentos directos sofreu um declínio de 15% em 2008; recuperação no sector só deverá começar em 2010 ou 2011.
Carlos Araújo, da Rádio ONU, em Nova Iorque.
A actual crise económica vai ter um impacto significativo no fluxo de investimentos estrangeiros directos nos países em desenvolvimento. Após um declínio de 15% em 2008, o envio de capitais para os países mais vulneráveis vai sofrer uma queda ainda mais acentuada este ano.
A afirmação consta de um relatório da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lançado esta quarta-feira em Genebra.
Níveis de Confiança
O documento "Avaliação do Impacto da Crise nos Fluxos de Investimentos" indica que dois factores são responsáveis pelo declínio de investimentos locais e internacionais: acesso mais reduzido a recursos financeiros devido a um aumento das taxas de juro e diminuição dos níveis de confiança.
O órgão revela que um volume recorde de US$ 1,9 trilhão em investimentos foi canalizado para os países em desenvolvimento em 2007.
O relatório diz que a globalização da economia deverá causar uma recuperação no sector, em finais de 2010 ou em 2011.
Matérias-Primas
O economista da Divisão África da Unctad, Rolf Traeger, disse à Rádio ONU, de Genebra, que a queda no fluxo de investimentos directos é mais um sinal de que a crise será longa.
"A recuperação da crise vai ser um processo longo apesar de alguns sinais positivos como a subida do preços das acções e matérias-primas. A crise vai ter consequências e impacto muito fortes especialmente para os países mais fracos e mais pobres. Esses efeitos vão durar ainda vários anos" afirmou.
Segundo o relatório, vários factores podem acelerar a recuperação da economia mundial. O órgão recomenda o fim de políticas proteccionistas, a criação de um ambiente aberto para negócios e a realização de reformas estruturais no sistema financeiro global.