Acção Global contra analfabetismo

28 abril 2009

Dados da Unesco apontam que mais de 776 milhões de adultos em todo o mundo não sabem ler ou escrever. Enquanto Cabo Verde conseguiu reduzir em menos da metade o número de analfabetos no país, Guiné Bissau luta para que sua taxa de analfabetos chegue a 50% de sua população.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova Iorque*.

A Semana de Acção Global deste ano concentrou-se na luta contra o analfabetismo. Apoiada pela Unesco, a iniciativa teve como objectivo alertar para a importância da alfabetização de jovens e adultos.

Segundo a agência da ONU, mais de 776 milhões de adultos em todo o mundo não sabem ler ou escrever. Além disso, 75 milhões de crianças não frequentam escolas, e milhões delas deixam os estudos antes mesmo de adquirirem conhecimentos básicos.

Crise Financeira

O relatório de monitoramento global da Unesco alerta que a meta de aplicar a educação primária universal até 2015 não será alcançada para pelo menos 30 milhões de crianças.

De acordo com o documento, é preciso uma quantia estimada em US$ 11 mil milhões anuais, para que os objectivos de educação sejam atingidos nos países mais pobres. Em 2007, o valor aplicado no sector desses países foi de US$ 2,6 mil milhões.

A Unesco ainda teme que a crise financeira e a desaceleração do crescimento económico façam com que as doações aos países necessitados seja menor, causando uma perda na educação de mais de US$ 1,1 mil milhões até 2010.

Recuperação

A taxa de analfabetismo sofreu uma grande queda ao longo dos anos em Cabo Verde. Em 1975, ano da independência do país, 70% da população era analfabeta, segundo o director-geral de Alfabetização e Educação de Adultos do país, Florenço Mendes Varela.

Em entrevista à Rádio ONU, de Cabo Verde, Varela contou como o país africano conseguiu reduzir esse índice para cerca de 22%.

"Cabo Verde é um país sem recursos naturais. Nosso recurso precioso é o homem, e entendemos que a educação é uma estratégia interessante e importante para o desenvolvimento. Graças a isso, o país inteiro mobilizou-se em torno da alfabetização e da educação, da democratização da educação, e apostou, sobretudo, na educação fundamental e de base" disse.

Investimento

O director-geral de Alfabetização e Educação de Adultos em Cabo Verde disse que o plano de educação lançado pelo governo contou com o investimento de alguns países.

"Tivemos particularmente a cooperação suíça, e também outros países vêm apoiando nossa estratégia nacional de educação. Temos acompanhado, através da Unesco, toda a dinâmica de educação no mundo para partilhar essa experiência com outros países. São essas informações que eu gostaria de passar, na certeza de que estamos contribuindo, partilhando informações com os outros países."

Varela destacou que o governo caboverdiano pretende reduzir ainda mais a taxa de analfabetismo no país, seguindo os Objectivos do Milénio da ONU. A meta é chegar a 5% de analfabetos na população com menos de 49 anos até 2015.

Luta

Já na costa ocidental da África, Guiné-Bissau ainda luta contra o analfabetismo.

De acordo com a directora-geral da Alfabetização e Educação Não-Formal do país, Maria Francisca Medina Dabo, 73,6% da população - estimada em 1,2 milhões de habitantes - não sabe ler ou escrever.

Maria Francisca disse que o governo está a tentar combater o problema com o apoio de Cuba, num projecto que vai alfabetizar 4,8 mil pessoas a cada quatro meses.

*Apresentação: Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova York.

 

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