Impactos da crise na América Latina

3 abril 2009

Em documentos publicados pela Cepal, economistas sugerem as lições que os países da América Latina devem tirar da atual crise financeira.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova York.

Dois documentos publicados recentemente pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, analisam o impacto de crises financeiras passadas e suas causas para avaliarem quais serão as lições que virão com a atual crise financeira.

Segundo eles, as crises financeiras têm tido efeitos profundos e prolongados na região, independentemente das características ou condições iniciais de cada país. A previsão para a crise atual é de efeitos profundos e negativos na economia.

Estimativas divulgadas nesta semana pelo Banco Mundial confirmam as teses dos economistas da Cepal, já que o PIB da América Latina e do Caribe devem, em geral, ter uma queda de 0,6% após o ganho de 4,3% registrado no ano passado.

De acordo com dados da Cepal, o Brasil está entre os países mais afetados pela crise, com a taxa de crescimento estimada em -1%.

Aprendizado

Os autores do documento citam algumas lições que os países latino-americanos podem tirar da crise. Entre elas, estão a extensão das regras e a supervisão de todas as instituições financeiras que têm potencial para afetar a economia geral.

Os economistas ainda sugerem a adoção de mecanismos para abolir o comportamento cíclico dos sistemas financeiros, que agrava a instabilidade econômica e não alivia os efeitos de depressão econômica.

Brasil

Assim como os outros países da América Latina, o Brasil também foi afetado por crises financeiras no passado, mas elas despertaram mecanismos alternativos de resposta, como a descoberta da capacidade de se criar políticas próprias, como explica Carlos Mussi, economista da Cepal em Brasília, à Rádio ONU:

"Você pode pensar desde a Grande Depressão, que cortou o comércio e os preços do café. O Brasil nessa época descobriu a capacidade de fazer políticas próprias, com a compra dos cafezais, a queima. Era o início de uma política para estimular e proteger o mercado interno", afirmou.

Momento atual

Segundo Mussi, o impacto da crise no país pode ser avaliada de acordo com seu grau de exposição na economia externa.

"A atual crise pega o Brasil num momento que ele de novo cresce, muito puxado pelo seu próprio mercado, mas com vulnerabilidade externa menor. Essa é a grande variável para analisar o impacto da crise no Brasil - o quão está exposto o país ao impacto da crise externa", avalia.

O economista da Cepal acredita que entre as lições que o País deve aprender com a crise, estão a consolidação das instituições econômicas e a responsabilidade sobre sua própria economia.

*Apresentação: Eduardo Costa, da Rádio ONU em Nova York.

 

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