Minas matam 5,5 mil pessoas todos os anos

3 abril 2009

Segundo o Unicef, 60% das vítimas de minas e outros explosivos remanescentes de guerras são crianças; Moçambique, Angola e Guiné-Bissau continuam a ser afectados pelo flagelo.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou a sua forte esperança de que um dia o mundo estará livre das ameaças causadas por minas terrestres e outros explosivos remanescentes de guerras.

Numa mensagem alusiva ao Dia Internacional para a Consciencialização dos Perigos de Minas, a ser comemorado este sábado, 04 de Abril, Ban disse que nas últimas duas décadas peritos da ONU ajudaram esforços de desminagem em mais de 50 países.

26 mil mortes

Segundo a Equipa de Acção Contra Minas das Nações Unidas cerca de 5,5 mil pessoas continuam a morrer todos os anos em acidentes com minas. Esse total representa uma queda de 75% em relação a 1997, ano em que os engenhos mataram 26 mil pessoas.

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, revelou esta sexta-feira que 60% das vítimas de explosivos remanescentes de guerras em 2007 foram crianças, particularmente rapazes. A agência das Nações Unidas diz que elas muitas vezes confundem os engenhos por brinquedos.

Três países africanos de língua portuguesa continuam a ser afectados pelo flagelo; Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Deficientes

O presidente da Associação Angolana de Deficientes, Silva Lopes Etiambulo, disse à Rádio ONU, de Luanda, que as vítimas de minas no país continuam a ser discriminados nas áreas de habitação e emprego.

"Em Angola encontramos um número muito elevado de pessoas que vivem com deficiência causada por minas que não têm prótese. As pessoas deficientes também debatem-se com a falta de muletas para poderem deslocar-se. As cadeiras de rodas quase que não existem. Outra grande preocupação é a falta de habitação porque as pessoas deficientes não conseguem construir as suas casas. A falta de emprego e de comida são outros factores que dificultam o dia-a-dia das vítimas de minas em Angola".

Silva Lopes Etiambulo disse ainda que a principal prioridade das vítimas de minas em Angola é recuperar a sua dignidade.

Moçambique conseguiu obter da Convenção Internacional Anti-Minas, a Convenção de Otava, uma extensão no prazo de desminagem do país. As operações de limpeza terminarão agora em 2014.

O presidente da Comissão de Desminagem de Moçambique, Júlio Braga, disse à Rádio ONU, de Maputo, que a falta de recursos financeiros tem sido o principal obstáculo aos esforços do seu governo nessa área.

"Já desminamos quatro províncias, no norte do país. As restantes seis províncias, no centro e sul, devem ser desminadas nos próximos tempos. Os operadores já estão nessas regiões e também temos algum financiamento que, contudo, não é suficiente. Necessitamos de financiamento por mais quatro ou cinco anos. A nível internacional, o financiamento na área de desminagem conheceu uma redução acentuada".

Segundo a ONU, Colômbia, Afeganistão, Iraque, Nepal e Sri Lanka são os países mais minados no mundo.

 

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