Sudão e ONU devem se unir por ajuda humanitária
BR

30 março 2009

Secretário-Geral fez a declaração durante a Cimeira da Liga Árabe no Catar, nesta segunda-feira; no início do mês, governo sudanês expulsou 13 ONGs de assistência da província de Darfur, no oeste do país.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova York.*

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o governo do Sudão e a organização devem trabalhar juntos para superar o que ele chamou de tensões surgidas com a decisão do Tribunal Penal Internacional, TPI, contra o presidente do país, Omar al-Bashir.

A afirmação foi feita durante um discurso de Ban no Encontro de Cúpula da Liga Árabe em Doha, capital do Catar, nesta segunda-feira.

Mandado de Prisão

Bashir, que também compareceu à cimeira, recebeu um mandado de prisão do TPI, no início deste mês, após ser acusado de crimes contra a humanidade e de guerra na província de Darfur.

Dias depois, o governo sudanês decidiu expulsar 13 ONGs de assistência humanitária de Darfur. Ban Ki-moon pediu ao governo que mantivesse as ONGs que ajudam mais de 1 milhão de pessoas na província.

O presidente diz que o caso contra ele tem motivação política e nega todas as acusações.

Impunidade

Nesta entrevista, antes da cimeira, uma das juízas do TPI, Sylvia Steiner, contou à Rádio ONU, de Haia, que o caso Bashir provou que ninguém está acima da lei.

"Eu acho que a mensagem importante que o tribunal passa é de que aqueles que violarem essas leis mais elementares de manutenção da paz e da proteção da humanidade como um todo vão ser julgados. Não se tolera mais a impunidade, Não importa o grau. Não importa se é um presidente de Estado, se é um líder de uma milícia armada ou comandante de um exército. Ninguém está acima da lei. Esta é a mensagem que o tribunal tem de passar", afirmou.

O Sudão vive um conflito entre tropas do governo, milícias e rebeldes desde 2003. Pelo menos 300 mil pessoas já morreram.

Faixa de Gaza

Em seu discurso no Catar, o Secretário-Geral afirmou que a situação de segurança no Sudão permanece volátil, com riscos cada vez mais elevados para o pessoal da ONU e das agências de auxílio.

Ban Ki-moon também manifestou preocupação com a situação na Faixa de Gaza e voltou a pedir a abertura dos cruzamentos entre Israel e a região para a passagem de ajuda humanitária.

Após o Catar, Ban deve viajar ainda a Paris e a Londres, onde participa do encontro de cúpula do G-20, marcado para 2 de abril na capital britânica.

*Apresentação: Eduardo Costa, da Rádio ONU em Nova York.

 

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