Especial: Gilberto Gil na ONU

27 março 2009

Músico cantou, em espanhol, durante concerto em memória das vítimas da escravidão; em entrevista a jornalistas, em inglês, lembrou tempo da ditadura no Brasil.

      Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, visitou a sede da ONU na quarta-feira para participar de eventos do Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos.

Ao lado de outros artistas internacionais, incluindo o rapper Akon, Gil respondeu a perguntas de jornalistas em inglês.

Jovem

Esta repórter lembrou a ditadura no Brasil, as músicas de Chico Buarque e o filme Zuzu Angel e perguntou sobre a resistência de Gil através de suas canções.

O compositor respondeu que, assim como outros grandes nomes da música brasileira, ele era jovem em 1964 quando a intervenção militar começou no país.

O músico explicou que Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Maria Bethânia e Elis Regina pertenciam a uma geração que foi pega de surpresa pelo que ele chamou de uma situação dramática.

Gil falou sobre o fechamento do Congresso, democraticamente eleito, o desaparecimento da liberdade de expressão da noite para o dia e explicou porque decidiu resistir ao regime militar.

Geração

Segundo ele, não havia outra opção a não ser lutar contra a ditadura. E disse que fizeram isso não só pelo bem-estar de uma geração inteira, mas também porque eram jovens e tinham responsabilidade de responder através da música, da poesia e da arte contra as imposições da ditadura.

O cantor lembrou que por causa do regime militar ele teve que se asilar em Londres, Chico Buarque em Roma, Caetano Veloso em Londres, assim como Geraldo Vandré. Ele disse que perdeu vários amigos que foram mortos pelo regime. Mas que hoje, o Brasl vive um novo momento de sua História.

Gilberto Gil disse que o passado foi difícil, mas que eles conseguiram levar a democracia de volta ao Brasil e que todos eles estão envelhecendo "bem mais calmos".

Em Espanhol

Poucas horas após a entrevista a jornalistas, Gilberto Gil retornou às Nações Unidas para participar do concerto na Assembleia Geral em memória das vítimas da escravidão.

E mais uma vez foi recebido com carinho pela plateia internacional.

Ele terminou a noite com uma canção também "mais calma", desta vez em espanhol.

 

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