Crise vai agravar pobreza em África

3 março 2009

Segundo um relatório da Unesco, a desaceleração do crescimento económico em 2009 vai custar a 390 milhões de pessoas que vivem na pobreza extrema em África cerca de US$ 18 mil milhões.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A crise financeira global deslocou-se dos mercados de acções e dos sectores bancários e afecta agora as vidas das pessoas mais vulneráveis no mundo, revela um estudo publicado esta terça-feira pela Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

O documento indica que a desaceleração do crescimento económico em 2009 vai custar a 390 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza na África Sub-Saariana cerca de US$ 18 mil milhões, ou seja US$ 46 por pessoa.

Mortalidade Infantil

Segundo a Unesco, esta projecção representa 20% do rendimento per capita dos pobres em África, um montante que eclipsa as perdas sofridas no mundo desenvolvido.

As conclusões do estudo também sublinham o impacto geral de desenvolvimento humano, incluindo a perspectiva de um aumento significativo na taxa de mortalidade infantil.

O relatório da Unesco indica que os países doadores poderiam fazer mais para proteger as populações mais pobres do mundo de uma crise que foi manufacturada nos grandes centros financeiros.

Esforço Concertado

Um dos autores do estudo, Kevin Watkins, contrasta o montante necessário para a realização do objectivo do milénio na área da educação, US$ 7 mil milhões, com os US$ 380 mil milhões que já foram injectados nos sistemas bancários nos últimos três meses.

A Unesco pede um esforço internacional concertado para aliviar o impacto da crise financeira sobre os pobres, incluindo um aumento de US$ 500 mil milhões nos programas especiais de empréstimos do Fundo Monetário Internacional, FMI.

 

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