Obituário: João Bernardo ‘Nino’ Vieira

2 março 2009

Presidente da Guiné-Bissau nasceu em 1939 e foi uma figura destacada na luta armada pela independência da ex-colónia portuguesa; ex-chefe das Forças Armadas, ele governou o país pela primeira vez em 1980.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

João Bernardo Nino Vieira ocupava a presidência da Guiné-Bissau desde 2005. Ele chegou ao cargo, pela primeira vez, em 1980, quando era chefe das Forças Armadas. Vieira liderou uma intervenção militar contra o então chefe de Estado da Guiné-Bissau, Luís Cabral.

Segundo analistas, a entrada de Nino, como era conhecido na política partidária aconteceu em 1960, quando ele ingressou no Partido para Independência de Guine-Bissau e Cabo Verde, Paigc.

Pleito Livre

Na altura, as duas colónias portuguesas compartilhavam uma agenda política semelhante, inspirada pelo herói da luta pela independência, Amílcar Cabral.

Meses após o assassinato de Amílcar Cabral, em 1973, o irmão dele Luís Cabral tornou-se presidente da Guiné-Bissau e ficou sete anos no cargo.

A primeira eleição de Nino Vieira para a presidência da Guiné, por voto directo, ocorreu em 1994. Esta foi também a primeira votação livre e multipartidária do país.

Atentado

Vieira permaneceu então cinco anos no cargo até deixar o poder após desentendimentos com as Forças Armadas e uma outra intervenção militar, em 1999.

O ex-presidente retornou ao posto, que ocupou até ser assassinado nesta segunda-feira, através de eleições gerais em 2005.

No fim do ano passado, ele escapou a um atentado quando se encontrava na sua residência.

Segundo agências de notícias, ele foi assassinado na madrugada desta segunda-feira, após um ataque à sua casa.

Consolidação da Paz

Durante um discurso na Assembleia Geral da ONU em 2007, João Bernardo Nino Vieira pediu a comunidade internacional que ajudasse seu país a combater o tráfico de drogas, que ele classificou de "flagelo para a Guiné".

Numa entrevista à Rádio ONU, um ano depois, ele descreveu a situação política no país como calma e disse que esperava que a ONU continuasse na Guiné-Bissau, por mais alguns anos, até a consolidação completa da paz.

*Apresentação: Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

 

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