Zimbabué tem quase 26 mil infectados com cólera

24 dezembro 2008

A doença manifesta-se em todas as províncias zimbabueanas; agências da ONU e outras organizações internacionais de ajuda lançam apelos para reunirem fundos necessários que ponham fim à epidemia.

João Rosário, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O representande do Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, no Zimbabué, Roeland Monasch, disse que o total de infectados pela cólera no país ultrapassa as 25,7 mil pessoas. Pelo menos 1174 já morreram.

Monasch informou que há casos da doença em todo o país, e que metade do total das infecções está em Harare, capital zimbabueana.

Salários

O representante do Unicef disse ainda que faltam médicos para atender ao surto, uma vez que muitos deixam de comparecer ao serviço porque os seus ordenados não estão a ser pagos.

A relatora especial da ONU para Água e Saneamento, Catarina Albuquerque, explicou à Rádio ONU, a partir de Lisboa, as razões para as dificuldades em se conseguir água potável em Harare.

“O quadro que conheço é que o Zimbabué tinha um dos melhores sistemas de água e saneamento básico de África e que hoje em dia todo o sistema encontra-se fora de funcionamento, está bloqueado. Há lixo espalhado pelas ruas e as pessoas não têm acesso à água potável”.

Poços

De acordo com o Unicef, a organização está actualmente a distribuir 700 mil litros de água potável por dia e a abrir poços nas imediações das cidades.

O fundo está também a distribuir 4 mil toneladas de produtos para desinfecção quimíca das águas dos poços.

Alertas OMS

A Organização Mundial de Saúde, OMS, alertou há várias semanas sobre os riscos para os países vizinhos e anunciou infecções ocorridas em Angola, Moçambique, África do Sul e Botsuana.

No caso de Angola, a OMS alertou para a possibilidade de haver casos relacionados com a epidemia registada no Zimbabué, entre os 10 mil angolanos infectados.

Em Nova Iorque, o embaixador de Angola nas Nações Unidas, Ismael Martins, disse à Rádio ONU que o país já aprendeu a lidar com a doença.

“A cólera em Angola já esteve pior. Está muito melhor porque aprendemos a lidar com a doença. O problema surge na época das chuvas, com a falta de saneamento básico. É fundamentalmente, problema das grandes cidades onde há uma grande concentração de pessoas, com várias origens e sem grande informação sobre como lidar com a doença. E com as chuvas acontece a cólera. Nós vamos encontrar as soluções para esse problema”.

Cruz Vermelha

Esta terça-feira, a Cruz Vermelha Internacional lançou um apelo para reunir US$ 9,2 milhões para o combate à cólera no Zimbabué.

O escritório da organização no país calcula que o dinheiro pedido poderá fornecer meios de ajuda a 1,5 milhão de pessoas nos próximos sete meses.

Segundo a Cruz Vermelha do Zimbabué, 11 mil pessoas estarão já a receber cuidados médicos através da organização.

 

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