Ban faz balanço de 2008

24 dezembro 2008

Secretário-Geral da ONU diz que ano foi marcado por crises e elogia avanços em várias áreas incluindo as negociações entre israelenses e palestinos.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O ano de 2008 foi marcado por várias crises. E 2009 não será menos difícil.

A declaração foi feita pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, durante sua última entrevista coletiva a jornalistas em 17 de dezembro.

Recessão

Ban afirmou que ao analisar 2008, ele examina os sucessos e fracassos. E lembrou que o mundo está se unindo para lutar contra uma possível recessão econômica, que segundo ele pode estar apenas no começo.

O Secretário-Geral lembrou ainda que a ONU tem atuado na República Democrática do Congo apesar de circunstâncias difíceis com a retomada dos combates entre tropas do governo e grupos rebeldes. Mas segundo ele, mesmo assim, as tropas não têm conseguido evitar que civis inocentes sejam alvos da violência.

O Secretário-Geral da ONU mencionou a crise alimentar mundial e o fato de que ela não domina mais as manchetes de noticiários. Ele contou que a ONU está lidando com o problema em várias dimensões, e não só a agrícola. Ban falou sobre os desastres naturais no Haiti, em Mianmar, no Paquistão e na China e da mobilização de tropas da União Africana e da ONU em Darfur.

Protocolo de Kyoto

Para o Secretário-Geral, 2009 será o ano do combate ao aquecimento global.

Ban Ki-moon explicou que até a realização da Conferência sobre Mudança Climática em Copenhague, em dezembro de 2009, o mundo só tem 12 meses para chegar a um acordo sobre a segunda fase de cumprimentos do Protocolo de Kyoto. Ele afirmou que o acordo precisa ser equilibrado, abrangente e ratificado por todos os países.

Ban disse também que espera que o novo governo dos Estados Unidos traga melhores relações com Washington.

Ban disse que a nova administração, que toma posse em 20 de janeiro, com o presidente Barack Obama, está prometendo uma liderança ousada.

Oriente Médio

Entre os líderes citados por Ban Ki-moon estão o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o líder da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, pelos seus papéis na produção de um acordo sobre corte nas emissões de gases poluentes pelos países da União Européia.

Para Ban Ki-moon, um outro sucesso de 2008 foram os avanços nas negociações entre israelenses e palestinos.

Nesta entrevista, o Secretário-Geral afirma que em 2008, os dois lados se engajaram em conversações diretas e intensas. E que representantes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina criaram as bases para negociações num clima de confiança. Ban também expressou sua esperança de eleições pacíficas no Iraque, em janeiro.

Somália

Entre os desafios de 2008, o Secretário-Geral lembrou o caso do Zimbabué, que segundo ele está à beira do colapso, além dos últimos acontecimentos na Somália.

Para Ban Ki-moon, o perigo de anarquia na Somália é claro e presente. O país está sem um governo efetivo desde 1991 quando o ex-presidente Mohammed Siad Barre deixou o poder.

Ban contou que discutiu a possibildade de envio de uma força multilateral ao país com 50 nações, mas nenhuma se propôs a liderar a operação. Ele falou sobre os seqüestros e ataques de embarcações por piratas no Golfo do Áden.

Viagens

No último ponto de seu discurso, o Secretário-Geral comentou a situação no Afeganistão.

Ele disse que está bastante preocupado com o agravamento da situação humanitária no país. E afirmou que é preciso haver uma mudança clara de direção na política para o Afeganistão

Ban terminou fazendo um balanço de suas viagens e disse que passou 103 dias de 2008 fora da sede em viagens de trabalho. Ele visitou 35 países, manteve reuniões com 350 chefes de Estado e governo e percorreu mais de 400 mil km ao redor do mundo.

 

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