Unicef e Pnud juntam esforços na protecção de albinos em África (Português para a África)

29 dezembro 2008

Agências da ONU relatam casos de perseguição e violência às vítimas; casos recentes afetaram crianças na Tanzânia e RD Congo, mas segundo Unicef problema também existe no norte de Angola.

João Rosário, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento, Pnud, em 2007, sobre crianças albinas em Kisangani, na RD Congo, revela que cerca de metade dos pais sentiram-se humilhados quando viram que tinham gerado filhos com albinismo.

O mesmo estudo indica que cerca de dois terços dos pais disseram que as intervenções médicas para os filhos albinos eram caras e metade admitiu que os filhos tinham dificuldades visuais sérias.

Pigmentação Pele

Ainda assim, 83% dos pais responderam neste estudo do Pnud que a evolução dos filhos na escola era igual aos outros meninos.

O albinismo é uma alteração genética que afecta a pigmentação e é caracterizada pela cor branca da pele, dos cabelos e olhos claros.

Além do Pnud, também o Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, mantém acções em vários países onde os albinos são vítimas de práticas violentas baseadas em crenças.

Angola

Numa entrevista sobre a situação na Tanzânia, o encarregado de protecção à criança do Unicef, Abubacar Sultan, disse à Rádio ONU, em Nova Iorque, que a agência da ONU recebeu relatos de casos semelhantes com albinos no norte de Angola.

“No norte de Angola, o fenómeno maior é a da acusação das crianças serem feiticeiras. Um estudo fectuado em 2007 mostrou que crianças portadoras de albinismo, órfãs ou portadoras de outro tipo de deficiência física são as mais vulneráveis e mais susceptíveis de serem acusadas de feitiçaria e de serem o mal dos problemas que afectam a família. Daí, serem sujeitas a todo o tipo de abusos que envolve violência física e psicológica e, em casos extremos, o próprio assassinato”, declarou

Crenças

Abubacar Sultan disse que a abordagem do Unicef passa pela protecção das crianças, reabilitação física e psicológica das vítimas com a permantente prevenção junto as familias e dos líderes comunitários.

Sultan disse que, em Angola, o trabalho das comunidades religiosas é fundamental, uma vez que contrapõe às crenças negativas uma abordagem mais positiva para a explicação dos fenómenos.

Na última semana o Unicef revelou que mais de 35 albinos teriam sido assassinados na Tanzânia.

 

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