Horta discorda de tribunal sobre Timor-Leste (Português para o Brasil)

2 outubro 2008

Presidente (foto) diz que conclusão da Comissão de Verdade e Justiça é suficiente para encerrar debates sobre ex-ocupação indonésia.

Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York.

O presidente do Timor-Leste e Prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, afirmou que discorda de propostas para criação de um tribunal internacional para julgar responsáveis por crimes e violações cometidos no Timor durante a luta pela independência do país, da Indonésia.

Nesta entrevista exclusiva à Rádio ONU, em Nova York, Ramos Horta disse que ele mesmo é uma vítima de violações dos direitos humanos e por isso fala com propriedade sobre a necessidade de perdão.

Trauma

“Eu faço parte desta população que é vítima que morreu ou sobreviveu e tem as cicatrizes físicas e emocionais da guerra. Eu perdi quatro irmãos mortos pelos indonésios. Eu próprio quase morri em 11 de fevereiro por ato irracional de um grupo de pessoas que chocou profundamente o povo e a comunidade internacional. Eu sei o que é ser vítima e o que é a violência. Mas é necessário para as vítimas tentar esquecer o passado. Não esquecer os familiares que morreram, mas esquecer do que ocorreu no passado. É isso o que o Timor-Leste tem que fazer para não ser refém do trauma, do drama do passado”, disse.

Soluções

De acordo com o presidente do Timor-Leste, um tribunal internacional para julgar crimes do passado não seria uma tarefa fácil de realizar e traria mais problemas que soluções.

“É impossível levar os generais indonésios a julgamento. Ninguém o vai fazer. E com razão. Se houvesse um tribunal internacional contra a Indonésia, primeiro: não haverá ninguém para julgar porque a Indonésia não vai cooperar. Segundo: vai completamente subverter, desestabilizar as nossas relações com a Indonésia. A Indonésia, que com muito sentido de Estado, deu um passo a frente ao nosso encontro. Como nós também demos um passo em frente ao encontro da Indonésia, da nova Indonésia. Como vamos nós fazer isso à Indonésia? A esse país que também luta pela democracia? Então é melhor não falar de um tribunal internacional porque haveria muitos ali a sentarem ali em Haia a serem julgados”, afirmou.

Soberania

A Comissão de Verdade e Amizade foi formada em 2005 para apurar casos de violações de direitos humanos, assassinatos e outros crimes cometidos durante a luta pela independência da Indonésia.

O momento final da violência ocorreu após o anúncio do resultado de um referendo em 1999 que decidia pela soberania do Timor-Leste como nação.

Vários timorenses foram mortos incluindo nove funcionários das Nações Unidas.

O último relatório da Comissão de Verdade e Amizade foi divulgado em agosto finalizando assim os trabalhos do grupo.

 

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