Especial Haiti: Cel. Pedro Fioravante

Especial Haiti: Cel. Pedro Fioravante

Nesta segunda parte de reportagens especiais sobre o Haiti, a enviada especial a Porto Príncipe, Fabíola Ortiz, conversa com o comandante do Batalhão Brasileiro, coronel Pedro Fioravante. Ele fala sobre o trabalho dos bóinas-azuis, envolvimento da população para a pacificação, e a tranformação de Cité Soleil, considerada uma das favelas mais perigosas do país.

Fabíola Ortiz, enviada especial a Porto Príncipe*.

O comandante do Batalhão Brasileiro da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, Minustah, coronel Pedro Fioravante afirma que uma eventual retirada das tropas de paz do país poderá acarretar em uma nova onda de violência e de confrontos entre gangues rivais.

Poder Público

“O perigo está latente ainda. Não posso precisar, isso é uma situação política, tem que se estudar muito para não se cometer um ato de irresponsabilidade, para não voltar tudo ao que era se retirar a tropa. E essa população ser novamente prejudicada. Isso é um passo muito importante e decisivo para o Haiti e tem que ser estudado com muito cuidado. Para a Minustah sair daqui o poder público haitiano tem que agir, atuar para dar condições desse povo viver dignamente e a partir daí os problemas que forem ocorrendo sejam de uma cidade normal”, afirmou.

Fioravante defende a geração de postos de emprego e uma participação ativa da população haitiana para a reconstrução do país. De acordo com o militar, as ações cívico-sociais realizadas pelas tropas não são capazes de resolver o problema da falta de alimentos e das precárias condições de vida do povo haitiano.

Renda Mensal

“O problema do Haiti tem que ser resolvido pelo próprio haitiano. Acho que toda a iniciativa da ONU em relação à melhoria da infra-estrutura do país tem que ter a participação do haitiano, primeiro porque é uma forma deles conseguirem alguma coisa, nessa área onde atuamos existem cerca de 85% de desempregados. É uma oportunidade que poderia ser dada a esses haitianos de receberem uma renda mensal do fruto do seu trabalho. E tem também a auto estima, é importante que ele se sinta responsável pela reconstrução de seu país”, disse.

O coronel afirmou que a presença dos bóinas-azuis garantiu o ambiente seguro e estável nas áreas de responsabilidade de cada país. A presença da tropa brasileira nos bairros de Cité Soleil, Bel Air e Cité Militaire, áreas de maior concentração populacional em Porto Príncipe com cerca de 300 mil habitantes, tornou possível o desenvolvimento de iniciativas do poder público e de organizações não-governamentais.

A facilidade de comunicação dos militares brasileiros com os haitianos, apesar das diferenças do português e do crioulo falado na ilha caribenha, segundo Fioravante, conquistou a empatia e o apoio da população.

Empatia

“Principalmente, o que acho o mais importante é a empatia que existe com a população apesar da língua. O povo haitiano é muito inteligente, aprende a falar português e tem a capacidade de aprender o idioma com muita facilidade. A missão tem sido muito bem cumprida e tem havido uma empatia muito grande com a população. Realmente, o Brasil hoje tem uma importância acentuada na Minustah por conta da área da qual ele é responsável. Uma área muito violenta que chamou a atenção do mundo e da mídia internacional para a violência, as mortes que havia, sem condições do poder público atuar contra essa violência ou em função de um desenvolvimento para a população. O Brasil pacificou essas áreas problemas, e hoje dá condições para o poder público atuar”, contou.

Voluntários

Para o comandante, apesar de considerar a segurança no Haiti não ser mais uma questão crítica, ainda há muitos desafios para os próximos contigentes que assumirão em novembro de manutenção da paz.

A missão de estabilização está no Haiti com um efetivo de 10,5 mil pessoas entre tropas militares, policiais, funcionários civis e voluntários e reúne forças armadas de 18 países desde 2004, quando o ex-presidente Jean-Bertrande Aristide deixou ao poder.

Reportagem: Unic Rio.