Desigualdades sociais na saúde afectam mais pobres

14 outubro 2008

Relatório da OMS destaca precariedade de saúde primária em países africanos e em desenvolvimento.

Yara Costa, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou nesta terça-feira em Almaty, no Kazaquistião, o Relatório da Saúde 2008 com críticas à organização, administração e acesso dos cuidados de saúde em vários países pobres e industrializados.

O documento apontou falhas nos sistemas que criam uma grande desigualdade da saúde entre os diferentes países e entre as populações dentro dos próprios países.

Saúde em África

As despesas anuais em saúde dos governos variam de US$ 20 até US$ 6 mil por pessoa. Os custos elevados da saúde fazem com que mais de 100 milhões de pessoas passem para baixo da linha da pobreza por ano.

Segundo o editor-chefe do relatório sobre cuidados de saúde primária da OMS, Wim Vanlerberghe os problemas são mais graves nos países africanos. Em entrevista à Rádio ONU de Genebra, Wim explica os motivos das críticas do relatório.

“A gente não está satisfeita com a direcção que muitos sistemas de saúde tomaram nestes últimos anos. Com a fragmentação dos serviços de saúde, com a comercialização dos serviços de saúde, todas estas tendências que se você não tiver autoridades sanitárias que dão uma direcção clara, isso vai desenvolver direcções que não são produtivas ”

O documento apontou a desigualdade social como principal causa dos maus serviços saúde. A expectativa de vida entre países pobres e ricos por exemplo é mais do que 40 anos.

Das 136 milhões de mulheres que vão dar à luz este ano, 58 milhões não vão receber assistência médica durante e após o parto o que põe em risco a vida das mães e dos bébés.

Wim falou ainda de um dos principais desafios do programa da OMS, para a renovação dos sistemas de saúde.

“Diminuir as barreiras financeiras de acesso ao serviço, e oferecer uma protecção social contra as consequências financeiras da utilização dos serviços da saúde ”.

O documento oficial da OMS faz outras recomendações e estratégias a serem seguidas pelos países. A versão em português deve sair até ao próximo mês.

 

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