Côte d’Ivoire sofre com insegurança e instabilidade (Português para África)

21 outubro 2008

Relatório informa que processo de paz está ameaçado pela existência de armas e falta de controle nas fronteiras.

Yara Costa, da Rádio ONU em Nova York.

A frágil estabilidade política e situação de segurança em Côte d’Ivore estão sobre ameaça num momento em que país vive um processo de consolidação do acordo de paz assinado o ano passado, segundo relatório de um grupo de especialistas das Nações Unidas.

O grupo, que visitou o país africano, lançou um alerta ao Conselho de Segurança sobre os programas de desarmamento dos combatentes e desmantelamento das milícias no país, que ainda estariam incompletos.

Desarmamento

Desde Maio deste ano, cerca de 9,9 mil ex-combatentes do grupo rebelde Forças Novas participaram do processo de desmobilização, desarmamento e reintegração.

Mas o relatório aponta que apesar das várias fases de acantonamento e desmobilização, apenas 18 detonadores electrónicos, 18 granadas, 10 armas de pequeno calibre e poucas outras munições e armas foram recolhidas.

O acordo de Ouagadougou, assinado em Burkina Fasso, há 18 meses, entre o governo que controlava o sul e os rebeldes Forças Novas que tinham controle sobre o norte, instaurou uma série de medidas para resolver a crise que dividiu o país em 2002.

Recomendações

Entre as medidas, estão a criação de um novo governo de transição; a organização de eleições presidenciais livres e justas; a fusão das Forças Novas, defesa nacional e força de segurança; o desmantelamento das milícias e desarmamento dos ex-combatentes; e observação por parte da operação da ONU, da zona de separação entre o norte e sul do país.

O grupo também mostrou-se preocupado com as tentativas falhadas do governo de Côte d’Ivore de restaurar a autoridade sobre todas as tropas nos territórios controlados pela administração das Forças Novas.

A falta de pessoal de alfândega na fronteira norte com o Burkina Fasso e a presença de funcionários não-qualificados do centro de administração de recurso das Forças Nova, tem impedido a inspecção e fiscalização adequada naquela zona de passagem.

Custódia

Quaisquer elementos indesejáveis e destabilizadores para o processo de paz, podem entrar para os territórios sobre comando das Forças Novas com o conhecimento dos agentes oficiais alfandegários sem que estes façam a investigação de contrabando devida, disseram os especialistas.

O relatório conclui com recomendações para a Operação das Nações Unidas em Côte d'Ivoire, Unoci. Entre elas está o envio de agentes internacionais de alfândega com experiência em sanções. E adopção de procedimentos que garantam a segurança do equipamento militar em locais seguros e sobre custódia.

 

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