Habitação no Rio de Janeiro

23 outubro 2008

Professora Raquel Rolnik afirma que modelos urbanísticos que levaram à proliferação de favelas podem ser reparados com melhores condições para populações urbanas.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A relatora especial das Nações Unidas para o Direto à Morada Adequada, Raquel Rolnik, afirmou que a cidade do Rio de Janeiro pode resolver seus problemas de habitação com mais esforços para promover inclusão social.

Ela fez a declaração numa entrevista exclusiva à Rádio ONU, em Nova York, ao comentar as condições de vida nas favelas cariocas.

Superação

“Tem jeito para o Rio de Janeiro. Evidentemente que é possível recosturar este tecido sócio-territorial da cidade. Só que para isso, nós teremos que fazer um esforço muito grande de superação do modelo concentrador e excludente. Isso significa que quem, historicamente, ganhou muito, vai ter que ganhar menos. Vai ter que abrir mão de uma parte desta riqueza, para que esta riqueza possa ser, muito mais uniformemente, distribuída.”, sugere.

Rolnik está em Nova York para uma reunião na Assembléia Geral da ONU com todos os relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da organização.

Giro de Capital

Na sua mensagem na ONU, ela criticou o modelo econômico de habitação que levou à crise do setor imobiliário nos Estados Unidos e outras partes do mundo. E disse que casa não é mercadoria.

“O princípio básico que tem estruturado a política da moradia é o princípio do fomentar o giro no mercado financeiro. E a posição da moradia pelo peso que a indústria da construção civil tem e pelo fato de que ela permite as hipotecas e a alavancagem de outros créditos, ela funcionou muito mais para isso. Para poder fazer girar capital no mercado e não para garantir a todo ser humano um lugar digno para viver”, disse.

A relatora brasileira pediu a criação de um novo modelo de moradia que garanta acesso a todos, e que não se concentre somente na propriedade do imóvel.

Raquel Rolnik assumiu o posto de relatora especial da ONU em maio deste ano.

 

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