Injustiças sociais matam em grande escala, diz OMS BR

Injustiças sociais matam em grande escala, diz OMS

Estudo da agência da ONU sugere que diferenças sócio-econômicas deterioram saúde das pessoas até mesmo em países desenvolvidos.

João Duarte & Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que as injustiças sociais causam, em grande escala, a morte de pessoas, em todo o mundo.

O documento, “Diminuindo o Abismo entre Gerações: Igualdade Através de Ação sobre os Determinantes Sociais da Saúde” foi publicado nesta quinta-feira, na sede da OMS, em Genebra, na Suíça.

Maternidade Infantil

De acordo com a pesquisa, políticas públicas ruins, e condições desfavoráveis de economia e política são responsáveis pelo fato de a maioria das pessoas não ter acesso à boa saúde.

O estudo mostra que uma criança nascida em Glasgow, na Escócia, pode viver 28 anos a menos que uma outra criada a apenas 13 km de distância.

A pesquisa também cita os riscos de mortalidade materna entre mulheres na Suécia e no Afeganistão. No país europeu, a chance é de 1 em 17 mil. No Afeganistão, a morte pode afetar uma em cada oito mulheres durante a gravidez ou o parto.

O técnico da Organização Mundial da Saúde, Luzitu Simão, disse à Rádio ONU, de Genebra, que a falta de infra-estrutura e serviços básicos é um dos maiores fatores de risco para doenças e também a morte prematura.

Boa Comida

“Elementos que influenciam a saúde são as bases sociais. Se as pessoas não têm água, eletricidade, uma boa comida, comparando essa gente a outros que têm esses elementos, a desigualdade social aparece. E quando se vai ver, em termos de doenças, os que não têm água, eletricidade e boa comida estão mais expostos do que os outros”, disse.

Simão também falou sobre como as desigualdades sociais podem afetar a saúde das pessoas no Brasil.

“O Brasil é um país onde você encontra ilhas de miséria e ilhas de grande luxo. A miséria começa com a falta de habitação, com a falta de algo para comer, com os problemas de saúde, enquanto que do outro lado você tem tudo,” disse.

O estudo da OMS conclui que grande parte dos esforços para uma distribuição equilibrada de benefícios ultrapassa escolha individuais de saúde, e cabem também aos governos.