Projeto de resolução sobre Zimbábue vetado na ONU BR

Projeto de resolução sobre Zimbábue vetado na ONU

China e Rússia rejeitaram texto, apresentado por Estados Unidos, com sanções ao presidente Mugabe e mais 13 membros do governo.

Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York.

Um projeto de resolução com sanções ao governo do Zimbábue foi vetado no Conselho de Segurança na sexta-feira.

O texto, introduzido pelos Estados Unidos, propunha sanções ao presidente do país, Robert Mugabe, e outros 13 membros do governo, proibição de viagens, congelamento de bens e contas bancárias, além de um embargo de venda de armas ao Zimbábue.

Intimidações

O projeto de resolução foi vetado pela China e pela Rússia, dois membros permanentes do Conselho. Nove países votaram a favor, cinco contra e houve uma abstenção.

O Conselho de Segurança já havia emitido uma declaração presidencial condenando a forma como o presidente Mugabe conduziu o segundo turno das eleições presidenciais, no qual ele concorreu sozinho.

O rival de Mugabe e candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, desistiu do pleito após centenas de seus simpatizantes terem sido alvos de intimidação, violência e até assassinato.

Antes da votação, o embaixador do Zimbábue, Boniface Guwa Chidyausiku, disse que o projeto de resolução era uma ingerência nos assuntos internos de seus país.

Segundo o embaixador, seu país tem sido vítima de interferência constante, através de várias medidas, incluindo sanções econômicas declaradas e não declaradas. Para ele, isso ocorre apenas porque o governo entrou num processo de redistribuição de terras após o que ele chamou de “antigo poder colonial” ter recuado no Acordo de Lancaster House estabelecido em 1979.

Solução Negociada

A analista-sênior de política das Nações Unidas, Valérie de Campos Mello, explicou à Rádio ONU, antes da votação, que somente uma solução negociada pode pôr fim ao impasse.

“Na verdade, um diálogo político é a única solução no momento já que o país está dividido e nem uma parte nem a outra pode governar independentemente. E também, obviamente, o governo controla o Exército, a polícia e isso é um fator importante”, explicou

De acordo com agências de notícias durante a campanha para o segundo turno das eleições, mais de 100 pessoas foram assassinadas, milhares de pessoas desapareceram e mais de 200 mil pessoas tiveram que deixar suas casas por causa da violência contra os simpatizantes do candidato da oposição Morgan Tsvangirai.