ONU condena violência política no Zimbábue BR

ONU condena violência política no Zimbábue

Declaração do Conselho de Segurança pede a governo que pare ataques e liberte opositores; Ban diz que 2º turno deve ser adiado.

Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York.

Os 15 países-membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram a violência política que antecede o 2º turno das eleições presidenciais no Zimbábue.

Numa declaração, aprovada por unanimidade, o conselho pediu ao governo que pare os ataques, os casos de intimidação da oposição e que liberte todos os líderes políticos presos durante a campanha.

Simpatizantes

Pouco antes da reunião de emergência do Conselho de Segurança, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o cancelamento do segundo turno das eleições do país do sudeste da África.

Ban afirmou que o governo do presidente Robert Mugabe não criou as condições para eleições livres e justas. Ban Ki-moon fez a declaração após o anúncio de que o rival de Mugabe, Morgan Tsvangirai, não concorreria por causa da violência contra seus simpatizantes.

A analista-sênior de política das Nações Unidas, Valerie de Campos Mello, esteve no Zimbábue há duas semanas com uma missão para ajudar a resolver o impasse.

Polarizado

Segundo ela, uma das propostas analisadas foi a de um governo de coalizão nacional.

“O presidente Mugabe diz que agora vão continuar com o segundo turno mas existe uma forte mobilização dos países da região, os países da Sadec, através da África do Sul, que tem mediado as negociações entre o governo e a oposição para tentar convencer as partes e principalmente o governo a entrar em negociações urgentes para um governo de união nacional. Está claro que o país hoje está tão dividido, tão polarizado e que nenhuma das partes, nem o Zanu-Pf, no governo, nem o MDC, partido da oposição, poderiam governar o país,” disse.

Contatos

Segundo agências de notícias, após ter desistido de concorrer, o candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, teria se refugiado na embaixada da Holanda.

O secretário-geral assistente das Nações Unidas, Haile Menkerios, visitou o Zimbábue na semana passada para discutir uma solução política para a crise e continua na região após manter encontros com líderes do Zimbábue e da África do Sul.