ONU faz reunião especial sobre Timor-Leste

11 fevereiro 2008

O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, disse que José Ramos-Horta (foto) foi ferido num braço e no abdómen.

Helder Gomes, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança convocou uma sessão especial nesta segunda-feira para consultas sobre a situação em Timor-leste após um atentado contra o presidente do país, José Ramos-Horta.

O anúncio foi feito pelo presidente rotativo do conselho, o embaixador do Panamá, Ricardo Alberto Arias.

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, também sofreu um atentado, mas escapou sem ferimentos. Mais tarde, ele disse a jornalistas, em Díli, capital do país, que Ramos-Horta foi ferido num braço e no abdómen.

Xanana Gusmão afirmou que o ataque foi um acto de cobardia.

"Estamos neste processo de tomar a melhor resposta a esse atentado, que consideramos um grave atentado ao Estado. O alvo eram os titulares de dois órgãos de soberania, a Presidência da República e o governo. Pensamos que este acto de cobardia deve ser punido com as medidas mais adequadas", disse.

Ban condena atentado

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o atentado que ele classificou de brutal e inexplicável.

Ban manifestou solidariedade com o governo e com o povo do Timor.

Uma das primeiras pessoas a chegar à residência de Ramos-Horta foi o capitão do destacamento da Guarda Nacional Republicana de Portugal, GNR, no Timor, João Martinho.

Ele contou à Rádio ONU, de Díli, sobre as primeiras medidas para socorrer o presidente.

Major Reinado

"Quando chegamos à casa de manhã, por volta das seis horas, tivemos a informação que o senhor presidente estava a ser atacado, dirigimo-nos ao local, nos deparamos com o corpo do senhor presidente em frente à casa. Foi de imediato socorrido pela nossa equipa médica e foi conduzido ao hospital. No quintal da casa estavam dois corpos no chão, um deles presumo ser do major Reinado", disse.

O embaixador do Timor-Leste nas Nações Unidas, Nelson Santos, disse à Rádio ONU, em Nova York, que o presidente timorense foi levado para Darwin, na Austrália, onde continua em tratamento.

O embaixador timorense confirmou que um dos participantes do ataque, o major Alfredo Reinado, foi morto nos confrontos.

"O major Alfredo foi morto nesse ataque, isso está confirmado. Mas relativamente às outras vítimas ainda estão por apurar. Sei ainda que foi morto também nesse encontro um dos guarda-costas do senhor presidente, mas não tenho o número total das vítimas", disse.

Reinado liderou, em 2006, um movimento rebelde de militares demitidos.

Segurança

O governo timorense declarou estado de emergência e a Missão Integrada das Nações Unidas no Timor-Leste, Unmit, reforçou as medidas de segurança no país.

Uma ex-colónia portuguesa no sudeste da Ásia, o Timor-Leste foi anexado pela Indonésia na década de 1970 e se tornou independente após um referendo da ONU em 2002.

 

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