Biocombustíveis e desenvolvimento

Biocombustíveis e desenvolvimento

Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York.

A busca de fontes alternativas de energia teve início na década de 70 devido a uma crise na produção de petróleo que afetou severamente a economia mundial.

Em novembro de 1975, o Brasil lançou o Programa Proálcool e nas últimas três décadas desenvolveu a tecnologia para a produção do etanol usando a cana-de-açúcar para fins energéticos.

Benefícios

Alguns países em desenvolvimento também criaram outras fontes de energia através da extração de óleos vegetais.

A Rádio ONU conversou com o coordenador de Mudança Climática e Comércio de Biocombustíveis, Lucas Assunção, sobre os benefícios desta nova fonte de energia para países como o Brasil.

"No caso da experiência brasileira, a plantação de cana-de-açúcar para geração de etanol, isso tudo oferece aos países em desenvolvimento uma redução da pauta de exportação de petróleo, que, com os níveis atuais do barril de petróleo, tem sido para vários países em desenvolvimento uma conta muito alta a pagar. Os biocombustíveis podem, de fato, ajudar na redução da dependência dessas exportações", disse.

O balanço entre as unidades de energia usadas para a geração de biocombustíveis e o produto final muitas vezes não compensa o processo.

Segundo Assunção, um exemplo é o etanol de milho dos Estados Unidos. Neste caso, a energia produzida é pouco superior à energia utilizada na fabricação do biocombustível.

Caso brasileiro

No caso brasileiro, onde se fabrica etanol de cana-de-açúcar, se produz oito vezes mais energia do que a energia utilizada.

O coordenador aponta os benefícios dos biocombustíveis e a importância de serem feitos estudos adequados para a produção.

"Nós observamos que não é uma solução que podemos propor a qualquer país, em qualquer situação. Há que se ter cuidado, existem vários aspectos positivos em termos de redução das emissões de gases de efeito estufa. Há evidentemente interesse de países de aproveitar esse mercado emergente. Mas já existem problemas que não se podem descartar. Se não forem bem planejadas, essas políticas de fomento de biocombustíveis podem, de fato, ter um impacto negativo sobre a produção agrícola para alimentos, por exemplo", disse.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, lançou, em fevereiro, um programa de análise dos biocombustíveis que foi patrocinado pelo governo da Alemanha.

O mecanismo, desenvolvido por técnicos da FAO e pelas Universidades Utrecht e Darmstadt, da Holanda, visa garantir que as populações carentes terão acesso aos benefícios dos biocombustíveis sem colocar em risco a segurança alimentar.

O novo sistema será testado no Peru, Tailândia e Tanzânia antes de estar disponível em nível global.