Escolas reabrem no Quénia com o regresso à calma, diz ONU

Escolas reabrem no Quénia com o regresso à calma, diz ONU

Na região mais afectada, no Vale do Rift, no oeste do país, o recomeço das aulas pode demorar por falta de professores e alunos.

Os incidentes surgiram na sequência do anúncio dos resultados das eleições presidenciais realizadas em 27 de Dezembro que deram vitória a Mwai Kibaki. A oposição liderada por Raila Odinga contestou a decisão do pleito.

Pelo menos 500 pessoas morreram nos confrontos, mais de 250 mil foram obrigadas a deixar suas casas, e muitas escolas foram destruídas.

O funcionário do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Nilvo Silva, disse à Rádio ONU, de Nairobi, capital do país, que apesar da calma, continua a haver temor sobre o futuro.

Novos protestos

O funcionário do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Nilvo Silva, disse à Rádio ONU, de Nairobi, capital do país, que apesar da calma, continua a haver temor sobre o futuro.

"A situação no Quénia já é mais tranquila, principalmente com relação ao transporte de comida e medicamentos. O racionamento que vinha acontecendo antes existe menos, talvez ainda em algumas áreas. Mas o clima é muito mais tranquilo. O que preocupa é que não há ainda um acordo sobre como essa situação vai ser resolvida. A oposição marcou uma série de protestos para essa semana e obviamente há uma certa expectativa sobre o que pode acontecer", disse.

De acordo com as autoridades, na região mais afectada, no Vale do Rift, no oeste do país, o recomeço das aulas pode demorar por falta de professores e alunos.

Todos os trabalhadores das Nações Unidas e de outras instituições internacionais regressaram às suas funções nesta segunda-feira.

Segundo Nilvo Silva a sociedade civil também está a mobilizar recursos para ajudar as pessoas atingidas pela violência.

"Há uma mobilização muito grande com pontos de coleta em supermercados de material para auxílio às pessoas que foram deslocadas por essa crise. A própria sociedade queniana se mobiliza bastante para tentar ajudar aqueles que foram prejudicados, aqueles que tiveram que se deslocar de suas residências, aqueles que tiveram inclusive suas residências destruídas", disse.

Diálogo

Na sexta-feira, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou seu apelo aos líderes políticos do Quénia para escolherem a via do diálogo como forma de resolver a crise política que afecta o país.

Ban Ki-moon instou aos quenianos a deter os assassinatos e as violações dos direitos humanos.

Ele disse ainda que é preciso que se investiguem os crimes e que os responsáveis sejam levados à justiça.