ONU destaca Ano do Saneamento Básico

ONU destaca Ano do Saneamento Básico

Cerca de 2,6 mil milhões vivem sem esgoto no mundo; condições inadequadas e água contaminada matam 1,5 milhão de pessoas.

Helder Gomes, da Rádio ONU em Nova York.

As Nações Unidas lançaram nesta quarta-feira o Ano Internacional do Saneamento Básico.

A iniciativa prevê a redução do número de pessoas que vivem sem acesso a esgoto e água potável.

Anualmente, 1,5 milhão morrem por causa de água contaminada ou doenças associadas à falta de saneamento.

A cerimónia de lançamento contou com um discurso do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e do príncipe Guilherme Alexandre, da Holanda.

Situação Crítica

Em Agosto deste ano, a Rádio ONU conversou com a prefeita de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil, Aparecida Panisset, sobre a situação no município, que segundo ela é bastante crítica.

"A situação é de socorro porque, em São Gonçalo, 98.8% da população não têm esgoto tratado. Mais de 50% não têm esgoto colhido e 54% não têm água potável. E com isso, as conseqüências são muito ruins. Devido a isso, as pessoas ficam muito doentes. Primeiro, ficam doentes com a respiração porque, quando se respira, se respira esgoto. As pessoas que moram nestes locais têm doenças respiratórias muito sérias por respirarem o próprio esgoto", disse.

O encarregado-sénior de Assentamentos Humanos do ONU-Habitat, no Rio de Janeiro, Erik Vittrup Kristensen, falou à Rádio ONU sobre o projecto do Conleste.

A iniciativa, de prefeitos de 11 municípios do Leste Fluminense, pretende ajustar a infra-estrutura da área à chegada de um pólo petroquímico da Petrobras à cidade de Itaboraí, no Rio de Janeiro.

"Este é o grande desafio. O grande medo dos prefeitos é que vai chegar uma invasão de pessoas para morar numa zona que ainda não tem infra-estrutura de serviço para os habitantes. A sorte é que a Petrobras está muito decidida a fazer um trabalho de estímulo e acompanhamento aos municípios para que eles tenham acesso a recursos e assitência técnica, não só das Nações Unidas mas também do governo do estado e das instituições federais como o Ministério das Cidades", disse.

A redução pela metade da população que vive sem saneamento básico até 2015 faz parte das Metas do Milénio da ONU.