2008, Ano do Saneamento

23 novembro 2007

do Rio de Janeiro, Mônica Valéria Grayley para a Rádio ONU.

As Nações Unidas lançaram, em 20 de novembro, o Ano Internacional do Saneamento Básico, que será marcado em 2008.

A iniciativa prevê a redução do número de pessoas que vivem sem acesso a esgoto e água potável.

Anualmente, 1,5 milhão morrem por causa de água contaminada ou doenças associadas à falta de saneamento.

A cerimônia de lançamento contou com um discurso do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e do príncipe Guilherme Alexandre, da Holanda.

A Rádio ONU foi ao Rio de Janeiro para conferir a situação de quatro municípios.

Pressão

O leste do estado está se preparando para receber um pólo petroquímico da Petrobras, o que deve gerar mais emprego e também mais pressão sobre a precária infra-estrutura de saneamento da região.

Vamos começar com a prefeita da cidade de São Gonçalo, Aparecida Panisset, que explicou a situação do município.

"A situação é de socorro porque, em São Gonçalo, 98.8% da população não têm esgoto tratado. Mais de 50% não têm esgoto colhido e 54% não têm água potável. E com isso, as conseqüências são muito ruins. Devido a isso, as pessoas ficam muito doentes. Primeiro, ficam doentes com a respiração porque, quando se respira, se respira esgoto. As pessoas que moram nestes locais têm doenças respiratórias muito sérias por respirarem o próprio esgoto", disse.

Um dos desafios da população local refere-se a redes ilegais de ligação de esgoto. Este engenheiro de Niterói conta que apesar dos esforços do município, ainda existem construções que não levam em conta a saída apropriada para seus esgotos.

Receita de Sucesso

"Tem um condomínio de luxo aí do lado. Eles pegaram o esgoto e jogaram para cá. Jogaram do lado mais pobre. Quer dizer, lá tem luxo e aqui é mais pobre. É indevido isso aí, a Águas de Niterói vai fazer também um projeto para captar este esgoto todo porque não pode isso. Está errado. Além do esgoto que já tem aqui eles ainda jogam mais este aí para contribuir", disse.

A Prefeitura de Nitérói, no entanto, afirma ter uma receita de sucesso para seus serviços de água e saneamento básico. Desde que a prefeitura decidiu entregar o fornecimento à companhia Águas de Niterói, o acesso da população melhorou quase 100%. A Rádio ONU conversou com o diretor-executivo da empresa Águas de Niterói, Cláudio Bechara Abduche, sobre a iniciativa.

"Hoje todos têm acesso a água tratada e estamos com 90% do esgoto coletado e tratado, com sete estações de tratamento de esgoto em operação quando a média nacional é em torno de 20%. E o que é mais importante, com tarifa mais baixa do que a praticada pela Cedae no Rio de Janeiro, por exemplo. Então, o que a população quer, eu como usuário também quero em qualquer serviço é: tarifa módica e investimento. É isto que nós fizemos nestes oito anos e diria que, em função destes dois grandes fatos, a aceitação é muito boa", explicou.

Migração

O encarregado-sênior de Assentamentos Humanos do ONU-Habitat, no Rio de Janeiro, Erik Vittrup, disse à Rádio ONU, que o pólo petroquímico, que será inaugurado na cidade de Itaboraí, deve provocar mais migração para o leste fluminese. Ele disse que a região já se vê obrigada a melhorar rápido seus serviços de infra-estrutura.

"Este é o grande desafio. O grande medo dos prefeitos é que vai chegar uma invasão de pessoas para morar numa zona que ainda não tem infra-estrutura de serviço para os habitantes. A sorte é que a Petrobras está muito decidida a fazer um trabalho de estímulo e acompanhamento aos municípios para que eles tenham acesso a recursos e assitência técnica, não só das Nações Unidas mas também do governo do Estado e das instituições federais como o Ministério das Cidades", disse.

Um investimento de US$ 8 bilhões, o pólo deve gerar até 200 mil postos de trabalho, segundo analistas. O secretário municipal de Transportes de Itaboraí, Álvaro Adolpho Tavares dos Santos, disse que o empreendimento traz desafios, mas também muitas oportunidades.

Nações Unidas em Ação, programa da Rádio ONU em Nova York.

Apresentação: Mônica Valéria Grayley

Produção: Eduardo Costa e Helder Gomes

Direção Técnica: Louis Bastion

 

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