Ban pede fim de estigmas contra pacientes de HIV

30 novembro 2007

O Secretário-Geral divulgou uma mensagem para marcar O Dia Mundial de Luta contra o Sida.

Jorge Soares, da Rádio ONU em Nova York.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu esforços da comunidade internacional para terminar com os preconceitos contra seropositivos.

Numa mensagem para marcar o Dia Mundial da Luta contra o HIV/Aids, neste sábado, Ban Ki-moon disse que a doença tem na sociedade um efeito semelhante ao que o HIV tem sobre o corpo humano.

Segundo a ONU, cerca de 33 milhões de pessoas têm o vírus do Sida em todo o mundo.

Mas de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Sida, Unaids, os projectos de prevenção e tratamento têm ajudado a combater a doença.

Em Portugal

Em Portugal, este 1º de Dezembro será marcado com a comemoração sobre a queda dos índices de transmissão vertical, da mãe para os bebés.

Vamos a mais detalhes com a repórter da Rádio ONU em Lisboa, Adriana Niemeyer.

“Além de aproveitar a data para várias campanhas de sensibilização com vários eventos junto à população em todas as regiões de Portugal, o Ministério da Saúde organizou com a Liga Portuguesa de Futebol a distribuição e utilização, pelos jogadores, de pins com o laço vermelho. O símbolo internacional do compromisso com a infecção do HIV.

O Dia Mundial da Luta contra a Sida será comemorado em Portugal também com o anúncio de boas notícias: a transmissão do vírus de mãe para filho é hoje

inferior a 2% no país, quando há uma década era de 25%, o que é considerado pelos especialistas como um "grande sucesso" na prevenção da infecção.

A regra prática é que todas as grávidas façam o teste. Em caso de infecção, a forma de evitar a transmissão do vírus passa pelo tratamento com

anti-retrovirais, o parto por cesariana e a amamentação artificial.

Mas em contrapartida 32 mil casos de Sida foram notificados até hoje em Portugal. Quase metade deles em pessoas que não apresentavam sintomas, segundo novos dados apresentados esta semana. Somente em 2007 foram registados mais de 1700 novos casos.

Segundo o relatório anual do Programa das Nações Unidas sobre a doença, esse número torna Portugal o quarto dos países da Europa Ocidental que mais

diagnosticou casos novos de infecção em 2006.

A falta da prevenção e a escassez de campanhas públicas são as responsáveis, segundo os especialistas, pelo aumento dos casos. Os médicos consideram necessário melhorar a comunicação através de uma linguagem mais simples e de imagens mais atractivas para sensibilizar grande parte da população.

No Brasil, o Grupo de Apoio e Prevenção da Sida, Gapa, realiza um show em Ribeirão Preto, São Paulo, para chamar a atenção para a prevenção.”

De acordo com o relatório da OMS e do Onusida, a África Subsaariana possui mais de 60% dos doentes de Sida, ou seja cerca de 26 milhões de pessoas infectadas.

Moçambique

O repórter da Rádio ONU, Arão Dava, de Maputo, tem mais informações sobre os efeitos da doença em Moçambique.

“O representante do Programa das Nações Unidas para HIV-SIDA, Mauriciu Cysne afirma que o relatório sobre a seroprevalência a ser actualizado este ano, irá reflectir um aumento de casos em Moçambique.

‘Os números de 2007 devem confirmar essa tendência de crescimento, um crescimento menos vertiginoso que no passado, o que nos leva a pensar que daqui a 2/3 anos a epidemia tende-se a se estabilizar no país’, disse.

Maurício Cysne afirma que registo do vírus em mulheres grávidas é alarmante sobretudo nas regiões centro e sul do país, onde as taxas estão acima dos 20%, enquanto no norte os índices ficam nos 9%”.

Angola

A técnica do departamento do HIV/Sida da OMS em Angola, Etelvina Correia, disse à Rádio ONU, de Luanda, que o Dia vai ser comemorado com o lançamento de uma campanha de aconselhamento e testes.

“Um dos principais eventos foi o lançamento da campanha de aconselhamento e testagem voluntária que o Instituto Nacional de Luta Contra a Sida organizou e teve a parceria das organizações não-governamentais, da rede de pessoas vivendo com HIV-Sida e também dos membros das Nações Unidas que trabalham em Angola”, disse.

A Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, disse, na sexta-feira, que o HIV/Sida para além de ter efeitos na vida humana está ameaçando, também, a criação de gados que é um meios de subsistência da maior parte das famílias dos países mais atingidos pela doença.

A FAO lembra 60% dos doentes de Sida, com idades entre 15 e 49 anos estão na África Subsaariana.

 

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