Futebol Esperança

30 novembro 2007

Especial: Crianças x Pobreza (2ª. parte)

Mônica Valéria Grayley, enviada especial ao Rio de Janeiro e São Paulo.

Campeão do mundo, por cinco vezes, o Brasil é freqüentemente chamado de país do futebol. O esporte é, de fato, praticado por muitos brasileiros de norte a sul.

Mas longe da perfeição dos gramados profissionais, o futebol está presente pelas ruas em peladas, em discussões entre amigos e torcedores e também na vida de muitas crianças, que sonham um dia em se tornar Ronaldinhos, Kakás, Robinhos, Zidanes e por que não dizer: Pelé?

Nesta segunda parte da Série Especial “Crianças versus Pobreza”, a Rádio ONU foi ao Rio de Janeiro conhecer um time amador de futebol mirim.

Os jogos, todos os sábados, são realizados, em Itambi, numa das áreas mais carentes do município de Itaboraí.

As equipes, conhecidas pelas cores “Vermelho”, “Amarelo” e “Azul”, começaram tímidas com poucas crianças como conta o técnico do time, ‘Seu José’.

Café da Manhã

Neste time meninas e meninos dividem a bola

“Eles ficavam aqui jogando, mas muitas crianças caíam no campo porque não tinham comido de manhã. Resolvemos então nos organizar com a igreja para dar o café da manhã para elas. Aí o time foi aumentando”, recorda.

As cerca de 25 crianças passaram a contar com o apoio da Igreja Batista da Esperança, em Itambi, localizada no mesmo bairro.

A torcida é reforçada pelos pais dos jogadores e jogadoras que vêem no “Futebol Esperança” algumas chances positivas para os filhos.

“Meu filho ficou mais obediente depois que começou a jogar. Ele parou de gritar, bater a porta, e está melhor no colégio”, diz.

O treinador do time afirma que disciplina é coisa séria. As crianças não podem xingar em campo. “Se xingar mais de duas vezes, são suspensos por duas semanas”, avisa

Jogadores participam da escalação

As crianças são carentes. Jogam sem chuteira, usam as próprias roupas como uniforme improvisado.

Crianças nas Ruas

“Eu prefiro que meu filho fique aqui a estar nas ruas”, conta a mãe do jogador Jônatas, que por ter deficiência auditiva, é chamada pelos colegas de “Mudinho”.

Uma das atacantes do time das meninas, diz que o esporte ensinou a ela que ficar à toa não era a melhor coisa. “O futebol tira as crianças da rua, ensina que a gente tem que estudar, que não deve engordar, dá até para perder peso”, conta Suelen, de 14 anos.

Igreja ajudou a tirar meninos da rua

Neste time carente, o técnico também atua como juiz. “Só falta a ele chutar para gol”, critica um dos meninos que neste sábado ficou no banco.

“Ele protege as meninas. Ou ele é técnico ou é juiz”, reclama.

Já outro colega da reserva discorda: “Ele está certo tem que ‘roubar’ para as meninas mesmo”, diz rindo.

Vencer Barreiras

Controvérsias à parte, tudo aqui termina na esportiva.

'Mudinho', de meião vermelho, tenta ganhar a bola

A única concentração desses jogadores mirins parece ser mesmo a garra de vencer e a disposição de sonhar com os gramados profissionais do futebol. Sonhar com um dia ser um craque famoso que trocará o campo de Itambi pelos gramados dos estádios internacionais.

“Aqui a gente aprende que é possível vencer nossas barreiras, nossos limites. É possível crescer e sair da pobreza”, conclui Suelen.

Do Rio de Janeiro, eu fui a São Paulo contar a história das crianças do Futebol Esperança à Assíria Nascimento, mulher de Pelé. Cantora evangélica, Assíria é também embaixadora da ONG Visão Mundial. Presente em 100 países, a ONG se dedica a crianças e adolescentes que vivem em condições de pobreza.

 Assíria Nascimento

"Eu acho que as crianças têm toda a razão de ter esperança. Mas o futebol, assim como qualquer esporte, mesmo que não se almeje ser um astro ou estrela, ajuda a dar disciplina, a sair da pobreza, a crescer e se desenvolver. Eu acho que meu marido sonhava, mas ela nunca imaginou o que viria a acontecer de fato. Quem sabe um dia, existirá um novo Pelé? Às vezes, eu penso que pode ser o meu filho. Quem sabe?", diz.

Este programa foi produzido pela Rádio ONU com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no Brasil

 

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