O conflito no leste da RD Congo

6 setembro 2007

O subsecretário-geral da ONU para Assistência Humanitária, John Holmes, disse que as tropas governamentais e os grupos rebeldes na República Democrática do Congo devem respeitar os direitos das populações civis.

O subsecretário-geral da ONU fez essas declarações na quinta-feira, 6 de Setembro, após um encontro com o presidente do país, Joseph Kabila.

Segundo o Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, desde o início do ano, a violência na província Kivu Norte, no leste da RD Congo, já provocou cerca de 170 mil deslocados internos.

Rádio ONU conversou com o comandante das forças de paz da Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monuc, general Babacar Gaye. Ele participou na sede das Nações Unidas, em Nova York, de um encontro que reúne todos os comandantes das forças de paz da ONU.

Gaye disse que o país está a enfrentar a última fase de uma longa crise. Ele afirmou que os confrontos que se registam actualmente opõem as forças do governo e os rebeldes liderados pelo ex-general Laurent Nkunda.

O general explicou que Nkunda vem recusando a desmobilização dos seus guerrilheiros e a sua integração no exército regular do Congo.

Questionado sobre as motivações do grupo afecto ao ex-general Nkunda, o comandante da Monuc respondeu:

“As motivações dos insurrectos se devem resumir à volta da FDRL (Forças de Defesa para a Libertação do Ruanda), formada por pessoas pertencentes à tribo Hutu que fugiram do Ruanda e se fixaram no leste da República Democrática do Congo.

Ele sublinhou que devido a esse assentamento, vários membros da população da região deixaram suas casas e foram viver em Ruanda.

Gaye acrescentou que os rebeldes devem entender que o país é agora dirigido por um governo eleito que quer estender sua autoridade a todo o território.

O general informou que em nível político existe uma batalha diplomática envolvendo todas as partes no conflito, que vem sendo patrocinada pela Monuc.

Rádio ONU conversou ainda com o comandante das forças de paz em Kosovo, major-general Raul Cunha que também participou da reunião dos chefes militares em Nova York.

Para ele, a missão dos capacetes-azuis no Congo é a mais difícil de todas.

"As missões são todas difíceis, há algumas em que a situação parece que está estabilizada mas temos sempre a sensação que, a qualquer momento, podem desencadear. No entanto, pela sua complexidade, pelo que tenho ouvido dos meus colegas comandantes, eu tenho a nítida sensação que uma das missões mais difíceis é a missão que decorre no Congo, a Monuc, outra missão muito difícil é a do Líbano, a Unifil, e a do Sudão", disse.

África na ONU

Realização e Apresentação: Jorge Soares

Reportagem de Derrick Mbatha e Helder Gomes

Produção: Sandra Guy e Eduardo Costa

Direcção Técnica: Louis Bastion

 

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