Guiné-Bissau pede ajuda internacional para combater narcotráfico

28 setembro 2007

O presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira (foto), pediu à comunidade internacional que ajude seu país a combater o que chamou de “flagelo do narcotráfico” não só na Guiné-Bissau, mas também em toda a África Ocidental.

"A fraca capacidade institucional do Estado e as dificuldades em controlar as nossas fronteiras terrestres e marítimas têm facilitado a condução de actividades ilegais por parte de narcotraficantes e outros elementos do crime organizado. O que tem causado dificuldades de vária ordem às autoridades nacionais, ao ponto de prejudicar a imagem da Guiné-Bissau no exterior, com risco de pôr em causa as nossas relações com a comunidade internacional", disse.

O presidente guineense disse, nesta entrevista exclusiva à Rádio ONU, que seu país tem áreas ainda desertas e, por isso, torna-se difícil controlar todo o território.

"Muito embora tenhamos tomado nossas medidas internas, faltam-nos homens qualificados, nesta matéria, para combater o narcotráfico e meios materiais e financeiros para podermos fazer face ao problema. Como sabe, a Guiné-Bissau tem uma zona marítima muito grande, mais de 50 ilhas, algumas destas ilhas ainda não são habitadas. E não é só o narcotráfico, mas também a imigração ilegal para a Europa. Fazem esconderijos ali e depois passam à Europa clandestinamente. É preciso apoio da comunidade internacional para podermos fazer face a esta nova situação que para a Guiné-Bissau é um fenómeno novo", disse.

Vieira anunciou que haverá, no fim do ano em Lisboa, uma Conferência Internacional sobre o Tráfico de Drogas na África Ocidental

Segundo ele, a Guiné-Bissau também precisa de ajuda ao desenvolvimento através de incentivos internacionais aos seus produtos agrícolas.

"A Guiné-Bisasu produz muita coisa na agricultura, mas a maior quantidade acaba por estragar. Por exemplo, frutas como mangas e outros frutos. A castanha-de-cajú que é o maior produto de exportação que nós temos. Nestes dois últimos anos o preço do mercado internacional baixou grandemente. Isso não vai ajudar a Guiné-Bissau ou os países desta região a se desenvolver ou fazer o intercâmbio comercial com os países europeus", disse.

O último país de língua portuguesa a discursar na Assembleia Geral da ONU deverá ser Cabo Verde com o primeiro-ministro, José Maria Neves.

 

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