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Envelhecimento terá impacto sócio-econômico profundo, diz relatório BR

Envelhecimento terá impacto sócio-econômico profundo, diz relatório

Um relatório da ONU sobre envelhecimento sugere que a falta de políticas eficazes pode levar a um impacto sócio-econômico profundo à medida que sobe a expectativa de vida no mundo.

De acordo com o relatório, até 2050 mais de 80% das pessoas acima de 60 anos estarão vivendo nos países em desenvolvimento.

A África é o único continente a contrariar esta tendência, como explicou à Rádio ONU, de Genebra, o diretor do Programa de Envelhecimento e Ciclo de Vida da Organização Mundial da Saúde, Alexandre Kalache.

“A África é uma exceção, porque eles ainda estão como uma esperança de vida muito baixa. Por exemplo Serra Leoa é o país com a esperança de vida mais baixa de todo mundo, em torno de 34, 35 anos. Compare isso com, por exemplo, o Japão, que é o mais alto, que chega a quase a 85 anos hoje. Então são 50 anos de diferença. Isso é inadmissível”, afirmou.

Kalache afirma que a expectativa de vida no Brasil subiu bastante nas últimas décadas, mas os altos índices de violência nos centros urbanos impedem um salto maior.

“Uma das condições que faz com que essa esperança de vida nossa ainda não seja maior é a perda imensa de vidas dos homens jovens no Brasil, que morrem por violência e por acidentes”, disse.

Pelo relatório, o envelhecimento principalmente na Europa aumenta a sobrecarga dos serviços de previdência. Já nos países em desenvolvimento, mais de 342 milhões de idosos não têm acesso à aposentadoria. Se não houver mudanças, este número pode subir para mais de 1,2 bilhão em 2050.

Um outro desafio para os idosos é a falta de acesso a serviços de saúde. Alexandre Kalache.

“Muitos milhões de idosos, que não têm acesso ao mínimo, que é como controlar sua diabete, cuidar da sua hipertensão, como fazer prevenção de um câncer. E com isso muitas das doenças que são preventivas não estão sendo, e quando elas complicam não encontram uma resposta que deve ser, não o cuidado tecnológico complicado caro, mas sim em nível básico da comunidade que é no centro de saúde. E é isso, por exemplo, que a Organização Mundial da Saúde tem buscado”, declarou.

O estudo diz ainda que a África é o continente mais jovem com 4 em cada 10 pessoas menores de 15 anos.