Relatório da ONU diz que apenas 1% dos africanos chegam aos 80 anos

Relatório da ONU diz que apenas 1% dos africanos chegam aos 80 anos

Um relatório do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, Desa, afirma que, enquanto no Japão, 15% da população tem uma esperança de vida de 80 anos, em África essa estimativa é de apenas 1%.

De acordo com o relatório, até 2050 mais de 80% das pessoas acima de 60 anos estarão vivendo nos países em desenvolvimento.

A África é o único continente a contrariar esta tendência, como explicou à Rádio ONU, de Genebra, o director do Programa de Envelhecimento e Ciclo de Vida da Organização Mundial da Saúde, Alexandre Kalache.

“A África é uma exceção, porque eles ainda estão como uma esperança de vida muito baixa. Por exemplo Serra Leoa é o país com a esperança de vida mais baixa de todo mundo, em torno de 34, 35 anos. Compare isso com, por exemplo, o Japão, que é o mais alto, que chega a quase a 85 anos hoje. Então são 50 anos de diferença. Isso é inadmissível”, afirmou.

Kalache afirma que a expectativa de vida no Brasil subiu bastante nas últimas décadas, mas os altos índices de violência nos centros urbanos impedem um salto maior.

“Uma das condições que faz com que essa esperança de vida nossa ainda não seja maior é a perda imensa de vidas dos homens jovens no Brasil, que morrem por violência e por acidentes”, disse.

Pelo relatório, o envelhecimento principalmente na Europa aumenta a sobrecarga dos serviços de previdência.

Já nos países em desenvolvimento, mais de 342 milhões de idosos não têm acesso à aposentadoria.

Um outro desafio para os idosos é a falta de acesso a serviços de saúde.