Ban marca Dia Mundial do Refugiado com mensagem sobre solidariedade

Ban marca Dia Mundial do Refugiado com mensagem sobre solidariedade

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à comunidade internacional que demonstre solidariedade a milhões de refugiados em todo o mundo.

Ban Ki-moon disse que ao serem obrigados a deixar suas casas devido à violência e à perseguição, os refugiados enfrentam situações traumáticas.

Segundo um relatório do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, o número de refugiados cresceu 14%, em 2006, atingindo 10 milhões de pessoas.

O Acnur afirma que 80% são mulheres e crianças, e que esta alta se deve, principalmente, ao conflito no Iraque.

Em África, no ano passado, o Acnur assistia a 686 mil refugiados do Sudão, 460 mil Somalis, e 400 mil do Burundi e igual número da República Democrática do Congo.

O refugiado da RD Congo em Angola, Musengele Kopel, disse à Rádio ONU, de Angola, que as crianças refugiadas enfrentam problemas de acesso à escola, depois da sexta classe, por causa de documentos.

“Ás vezes nós encostamos ao governo para explicar os problemas que as crianças têm. E nesse momento está a se fazer o registo das crianças para ter mais ou menos o acto de nascimento, que chamamos aqui de cédula. Estamos a fazer registo para facilitar as crianças a estudarem na escola”, afirmou.

O Brasil abriga pouco mais de 3 mil refugiados, a maioria vem da Colômbia e da África.

O representante do Acnur no Brasil, Luis Varese, falou sobre o pacote de ajuda destinado a quem recebe asilo no país.

“Eles recebem uma documentação, é a protecção efectiva, o direito ao trabalho, têm uma carteira assinada, chamada assim uma carteira de trabalho. E depois durante seis meses eles recebem uma ajuda de custo, que dependendo do número dos membros da família, vai entre os 300 até os 450, 500 dólares por família”, declarou.

Mas para Varese enquanto o Brasil oferece abrigo, os problemas sociais ainda representam barreiras.

Um outro asilado congolês, que vive no Rio de Janeiro, disse que teve que mudar para uma favela por falta de dinheiro.

“Estamos a alugar dentro das favelas, onde que tem muito barraco. Mas como é que eu vou pagar a casa, a moradia? Comer entre nós africanos, isso passa, mas moradia onde que a gente está morando, como que vai fazer? O problema de trabalho, o problema da violência, porque a gente também está dentro das favelas. Eu conheço uns amigos que já estão dentro desse meio paralelo”, declarou.

Nesta quarta-feira, o chefe do Acnur, António Guterres, passou o dia em Juba, no sul do Sudão, acompanhando o retorno de 160 refugiados às suas casas na região.