‘Os Monólogos do Asilo’

‘Os Monólogos do Asilo’

Na Grã-Bretanha, o tema dos refugiados e asilados foi parar nos palcos numa peça chamada “Monólogos do Asilo”. O Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, apóia a iniciativa que torna o drama de quem é obrigado a fugir de seu país uma reflexão em forma de arte. A reportagem é de Alan Spector.

"Nós viemos pra cá porque temos problemas políticos. Não pelo dinheiro. Cada pessoa que vem tem que pagar entre 10 e 12 mil libras (esterlinas) para a agência. Esse dinheiro é sufuciente para passar 5, a10 anos em casa sem fazer nada".

"Aí, um dos policiais me disse: Me desculpe, senhora, mas os apelos de seu pedido de asilo foram negados. Eu fui jogada numa cela. Eu queria me matar. Eu estava me sentindo completamente arrasada".

Estas histórias são baseadas na vida real de refugiados que vivem, hoje, na Grã-Bretanha. Os relatos são interpretadas por atores da peça The Asylum Monologues ou Monólogos do Asilo. A produção teatral se propõe a dar voz àqueles que experimentaram a realidade do sistema de asilo do Reino Unido.

A roteirista Sonja Linden teve a idéia de escrever a peça, enquanto trabalhava como escritora na Fundação Médica para o Cuidado das Vítimas da Tortura, em Londres. Ela conta que, durante os sete anos em que esteve lá, ouviu histórias assustadoras.

Sonja diz que as histórias que ouviu eram chocantes não só em relação ao que acontecia nos países dos quais os refugiados haviam escapado, mas também em relação ao que eles enfrentaram ao chegar na Grã-Bretanha.

Com base nestes testemunhos, ela construiu o roteiro de Os Monólogos do Asilo. Casos de violação dos direitos humanos em prisões britânicas e de suicídios em centros de detenção, por exemplo, são levados ao palco pelos atores da peça.

Mais de 2,5 mil pessoas já assistiram à produção, que foi apresentada, gratuitamente, em diversas cidades do Reino Unido. Um dos principais objetivos das companhias de teatro envolvidas, é tentar reverter a opinião pública negativa da população britânica sobre a questão dos refugiados que, segundo a roteirista é causada, em parte, pela imprensa.

Sonja Linden disse que, com a peça, pôde tentar contrabalançar as informações erradas que chegam, hoje, na Inglaterra através da mídia, principlamente, pelos jornais impressos e, também – segundo ela - pelo governo.

A representante do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Reino Unido, Bemma Donkoh, afirma que a imprensa britânica tem uma abordagem incorreta em relação aos refugiados.

Segundo Donkoh, os jornais consideram os mais diversos tipos de pessoas como candidatos a asilo e acabam causando a impressão de que muitos imigrantes ilegais abusam do status de refugiado. Ela diz que, quase todo dia, sai no jornal um artigo que insiste neste tema.

A representante do Acnur disse que iniciativas como a peça Os Monólogos do Asilo são uma importante ferramenta para chamar a atenção para a questão dos refugiados no país.

Donkoh diz que mais informações como as que a peça traz, deveriam se tornar públicas. Ela acredita que, às vezes os britânicos não vêem os refugiados e candidatos a asilo como pessoas interessadas num governo decente, em escolas decentes, como bons vizinhos ou como pessoas que tem uma história interessante para contar.

De acordo com o Acnur, a Grã-Bretanha abrigava mais de 280 mil refugiados em 2005. Neste mesmo ano, a Grã-Bretanha ficou em 6º lugar no ranking dos países com o maior número de candidatos a asilo.

Reportagens e Destaques, produção Rádio ONU em Nova York.

Apresentação: Alan Spector

Produção: Sandra Guy e Kacy Lin

Direção Técnica: Peter Kurisko