Menores Vítimas

13 outubro 2006

Um estudo das Nações Unidas revelou que a violência contra crianças está presente em todas as classes sociais e culturas. De acordo com o documento, 53 mil crianças foram mortas em 2002. E pelo menos 80% de meninos e meninas em todo mundo sofrem punições corporais.

Paulo Sérgio Pinheiro contou à Rádio ONU que uma das propostas é envolver meninos e meninas na formulação de políticas de defesa infantil. Mas segundo ele, para ter sucesso a proposta precisa levar as crianças a sério.

“Não é para se fazer essas consultas de mentirinha. É preciso levar a sério. Muitas crianças ouvidas reclamaram muito dos castigos corporais. Uma coisa que realmente as afeta. O estudo tem um posição muito favorável à família, acha que a família é a estrutura fundamental para proteger a criança. E o estudo não pretende criminalizar os pais. Os jovens pais, principalmente, estão sendo informados sobre estratégias mais eficientes de como lidar com a criança ao invés de dar pancada”, concluiu Pinheiro.

Segundo o chefe do estudo, um dos problemas para denunciar a violência sofrida pelos menores é o medo. Para a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, a relação de dependência entre a vítima da violência e o agressor piora o quadro.

“O medo da própria criança, o que se vê muito freqüentemente em situações que o perpetrador da violência contra ela são membros da família, parentes, pessoas que realmente têm o papel de fazer crescer e proteger dentro da sociedade. O relator nos conta que a violência acontece muito perto da realidade cotidiana das pessoas. Na própria comunidade, no local de trabalho, e os pais também têm medo porque o agressor pode ser um empregador, um líder comunitário, um policial, uma pessoa que tem poder”, disse Poirier.

Entre as formas sofridas estão as violências física, psicológica, sexual e racial. Segundo o documento, somente na Bahia foram assassinados mais de 20 jovens negros do sexo masculino para cada jovem branco.

A representante do Unicef no país diz que existem alguns mitos sobre os causadores da violência urbana principalmente no sul e sudeste do Brasil.

“Analisando os dados oficiais, por exemplo, da cidade de São Paulo, nós notamos que os homicídios perpetrados por adolescentes representam menos de 3% do total, e as vítimas que estão na faixa etária da adolescência representam um terço dos casos. Você vê como se constrói uma imagem da sociedade, que quem são os violentos são os adolescentes negros, quando na verdade, eles são as principais vítimas” afirmou a representante do Unicef.

O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, elogiou o estudo comandado pelo brasileiro, e disse que a mensagem central do documento revela que não se pode justificar nenhuma forma de violência contra a criança. Segundo ele, qualquer ato de violência pode ser evitado.

 

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