ONU faz silêncio por vítimas de Bagdá
Milhares de funcionários das Nações Unidas fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas do atentado a bomba de 19 de agosto de 2003.~A explosão no Hotel Canal em Bagdá matou 22 pessoas, entre elas, o então chefe da missão, Sérgio Vieira de Mello (foto), considerado uma estrela em ascensão na organização.
A mãe dele, Gilda Vieira de Mello, contou que tentou dissuadir o filho de assumir o posto. “Eu pedi tanto para ele não ir. Minha filha ficou com ele mais uma hora ao telefone, mas quando ele queria uma coisa ia até o fim. Eu acho que ele pensou que poderia levar a paz ao Iraque, mas deu no que deu”, diz.
Dona Gilda afirma que o filho era apaixonado pelo trabalho, e que quando chefiou a missão da ONU no Timor-Leste, lutou para que pelo menos 30% da formação do novo Parlamento fossem mulheres. “Ele acreditava no potencial das mulheres e era um grande amigo delas”, conta.
A carreira de 33 anos de um profissional dedicado às Nações Unidas inspirou um filme-documentário "A Caminho de Bagdá". A diretora Simone Duarte diz que Vieira de Mello era chamado no país de “Pelé da Diplomacia”.
“Foi assim que o agora primeiro-ministro timorense José Ramos Horta o apresentou uma vez numa ilha que visitamos. Sérgio era incansável. Fazia as coisas com paixão e jamais reclamava de cansaço”.
O diretor de Mídia e Jornalismo da ONU, Ahmad Fawzi, que era porta-voz no Iraque e deixou o cargo 14 dias antes do ataque, afirma que o colega e amigo seria um dia secretário-geral.
“Uma vez brincando eu disse a ele, que espera que ele me nomeasse seu porta-voz quando chegasse à secretaria-geral. Ele me disse: Ahmad, se eu me tornar secretário-geral, e este é um grande ‘se’”, finalizou.
A embaixadora brasileira, Marília Sardenberg, lembra que conheceu Vieira de Mello quando ele trabalhava no Alto-Comissariado para Refugiados da ONU.
"Ele queria uma participação maior do Brasil no trabalho com refugiados, mas como este não era um dos nossos maiores problemas, tínhamos a tendência de ser mais ativos em outras áreas. De qualquer forma, logo depois, o trabalho do Acnur começou a crescer no Brasil. Sérgio era uma pessoa brilhante e intelectual. Um ser humano maravilhoso. Ele com certeza seria secretário-geral. Fiquei semanas sem acreditar naquela tragédia", afirmou.
Sérgio Vieira de Mello, que tinha dois filhos, morreu aos 55 anos.
Na sexta-feira 18, funcionários e amigos das vítimas do atentado depositaram uma coroa de flores na sede da ONU em Nova York.
A data foi marcada em centros da ONU na América Latina, na Ásia, na Europa e na África.