Desarmamento no Haiti

18 agosto 2006

O primeiro-ministro do Haiti, Jacques-Edouard Alexis, afirmou que as gangues do país têm que se “desarmar ou morrer”. Alexis disse que os grupos criminosos terão que aderir ao programa da ONU de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, DDR. A Rádio ONU conversou com o chefe do programa, Desmond Molloy.

O Conselho de Segurança está debatendo a possibilidade de renovação do mandato das Forças de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, Minustah.

As tropas comandadas pelo Brasil devem ser renovadas por mais um ano após as posse do novo presidente René Préval, em maio.

Um dos trabalhos da missão é ajudar no treinamento de uma nova força policial, preparada para lidar com desafios como por exemplo, o aumento da criminalidade. Eu estive no Haiti e conversei sobre o tema com o chefe da Coordenação de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, Desmond Molloy, que começou explicando as dificuldades que enfrenta em seu trabalho de convencer os grupos a se desarmar.

Molloy diz que as condições no Haiti são bastante preocupantes e que os requisitos para um desarmamento pleno ainda não existem praticamente. Para Molloy esta é uma missão diferente das experiências que teve na Libéria, em Serra Leoa ou Moçambique, onde grupos em guerra entregavam suas armas. Segundo Molloy, a luta no Haiti é contra gangues armadas e não grupos rebeldes.

Para Molloy, um dos problemas pode estar na própria força policial.

O chefe da divisão de desarmamento da ONU disse que o comandante da polícia haitiana afirmou que existe ineficiência na corporação e que cerca de 30% dos crimes cometidos teriam a participação da chamada banda podre da polícia.

Um assunto que não ficou fora do discurso que o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, fez a jovens oficiais na Academia de Polícia Haitiana.

Em sua visita no início de agosto ao Haiti, Annan disse que uma minoria corrupta da polícia não pode ser autorizada a manchar a imagem de toda a corporação. Annan disse ainda que a missão da ONU está no país para ajudar e apoiar o plano que o governo tem para reconstruir a ilha caribenha depois da fase de violência e instabilidade política.

No fim de julho, uma nova onda de violência atingiu o Haiti com seqüestros e assaltos armados na capital Porto Príncipe. Um dos maiores focos de preocupação na cidade é a favela de Cité Soleil, considerada a mais perigosa do Haiti. Desde o mês passado, a favela passou à responsabilidade dos bóinas-azuis brasileiros. O comandante da Minustah, o general José Elito Carvalho Siqueira, disse que a responsabilidade de combater o crime é da polícia, e que as tropas estão no país para apoiar o programa do governo de estabilização da ilha.

Já para o representante especial do Secretário-Geral da ONU no Haiti, embaixador Edmund Mulet, o pedido de envio de unidades antiseqüestros e Swat incluídos na proposta de renovação do mandato devem ajudar a combater o problema.

Edmund Mulet afirmou que as unidades especializadas de combate a este tipo de crime foram pedidas pelo próprio Secretário-Geral em sua recomendação ao Conselho de Segurança.

Mulet disse que os seqüestros e os crimes associados ao narcotráfico estão desestabilizando o Haiti e como o trabalho da missão da ONU é estabilizar o país, a mesma precisa de instrumentos e recursos.

As tropas da ONU estão no Haiti desde 2004 e contam com 7 mil militares e 2 mil policiais.

 

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