Líbano pós-conflito

25 agosto 2006

O Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, está alertando através de campanhas de TVs na Síria e no Líbano para o risco de bombas que não explodiram durante a ofensiva de Israel no sul do Líbano. ~~

Muitas vezes, as bombas se encontram camufladas em brinquedos, que atraem as crianças.

Há uma estimativa de que existem dezenas de bombas não detonadas em áreas residenciais, perto de escolas e hospitais. O quadro preocupa pais e familiares como é o caso de Salah Saad, um brasileiro-libanês, que vive no Vale do Bekaa, no leste do Líbano.

“As crianças não podem sair de casa, não podem brincar fora. Mas agora com o início das aulas não sei como será. Marcaram o início das aulas para 9 de setembro. Mas tem bastante bombas, todos os dias morrem umas 3 a 4 pessoas por causa dessas bombas não explodidas” disse Saad.

Para saber a dimensão do problema conversamos com o responsável por iniciativas de cooperação das Nações Unidas no serviço de ação contra minas no Líbano, Allen Kelly.

Kelly afirma que pelo menos 226 bombas não detonadas se encontram no sul do Líbano, e provavelmente dentro de vilarejos ou próximo deles, o que representa um grande risco as pessoas que vivem nessas áreas e para aquelas que estão voltando para casa após o conflito.

Kelly diz também que até agora, oito pessoas morreram em pelo menos 32 acidentes com bombas.

Além dessas preocupações, os moradores ainda enfrentam os problemas de saúde, de subsistência e financeiros gerados pelo conflito.

Durante a ofensiva, muitas pessoas tiveram que sobreviver sem alimentos, água e medicamentos. Outras se refugiaram em regiões próximas e estão voltando sem sequer saber das condições que encontrarão suas casas. Cerca de 10 mil pessoas já deixaram os abrigos na Síria e aproximadamente 200 mil estão se encaminhando em direção ao sul do Líbano, a região mais afetada.

O tráfego é grande. Os libaneses estão voltando de carro, ônibus e até mesmo a pé. E mais uma vez as crianças estão em destaque nessa precária situação, estima-se que metade dos refugiados é composta de crianças.

O Líbano tem 3,5 milhões de habitantes, sendo que 1,2 milhão são crianças e adolescentes.

 

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