Refugiados no Brasil

14 julho 2006

De acordo com a Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o ACNUR, o Brasil abriga mais de 3,4 mil refugiados. E cerca de 190 pessoas estão aguardando a decisão de seus pedidos de asilo no país.

Os refugiados são pessoas que fogem de seus países por conta de perseguições de raça, nacionalidade, religião, grupo social ou opiniões políticas.

Hoje, o Brasil não só abriga refugiados como também integra o Programa da ONU para reassentamento, que trata de refugiados que continuam sofrendo perseguições no local de asilo e por isso precisam ser transferidos para um terceiro país.

O assentamento e o reassentamento de refugiados é regulamentado pelo Comitê Nacional para Refugiados, Conare e conta com o apoio do Acnur, ONGs e outras entidades como por exemplo, a Cáritas, a entidade da rede da Igreja Católica de atuação social.

A equipe da Rádio ONU conversou com Antenor Carlos Rovida, secretário regional da Cáritas Brasileira em São Paulo. Ele contou como é o processo do recém-chegado reassentado.

“Quando eles chegam já têm uma casa alugada com o mínimo de móveis para poderem viver. Eles têm durante um período que varia de 6 a 9 meses uma bolsa-auxílio para alimentação e recebem um curso intensivo de português durante 3 meses. Todo acompanhamento para dar entrada na documentação”, explicou Rovida.

Rovida falou também da condição de alguns refugiados que vêm algumas vezes acompanhados de suas famílias e outras vezes sozinhos.

“A gente percebeu que os núcleos familiares têm uma chance maior em menores prazos de tempo de conseguir um estabilidade emocional porque os que vêm sozinhos acabam tendo muito problemas, muita solidão, mas é claro que isso não é regra”, afirmou.

E para falar de como é a vida de um refugiado, nossa equipe conversou com Diamantino Feijó, angolano de 26 anos que é refugiado no Brasil há 7 anos. Diamantino que fugiu de Angola por motivos políticos, durante o conflito civil no país, para não participar do serviço militar obrigatório.

“Eu não podia sair, não podia ir para escola nao podia ir para nenhum lugar, então eu tinha que ficar praticamente encarcerado na minha propria casa. Eu tinha uma decisao a tomar ou sair do pais ou ficar preso até o conflito acabar e eu nao sabia quando seria o término desse conflito”, disse Feijó.

Feijó também falou das dificuldades de se adaptar a um país diferente e a sensação de deixar sua terra natal por forças maiores.

“Acho que a pior sensação foi no momento de saída. Eu estava saindo com uma dor muito grande no peito no sentido de que eu saía sem saber quando voltaria. Quando eu cheguei aqui as condições não estavam muito favoráveis não conhecia ninguém então eu fiquei com pessoas que eu nunca tinha visto na minha vida que me acolheram, eles eram angolanos que já moravam aqui, eu morei com eles, e eles me ajudaram de várias formas, como me integrar socialmente. Mas a saudade é uma coisa muito difícil que você tem que saber domar e que você tem que saber administrar”.

Diamantino Feijó hoje é jornalista e rapper, e é ao som do hip hop que ele tenta transmitir suas mensagens de paz e mostrar os reflexos de quem teve que deixar a família, amigos e o lar para a guerra.

Questionado sobre o que faria se o tempo pudesse voltar para que ele escolher novamente qual o lugar de refúgio, Diamantino disse só desejar ter oportunidade de voltar para casa.

“Se o tempo voltasse atrás eu queria estar na Angola, eu gostaria que não houvesse guerra porque querendo ou não a nossa casa sempre é o melhor lugar para a gente. Eu não escolheria outro país do mundo. Eu não diria que eu iria para os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, nenhum lugar. Seria minha própria casa. Você na sua casa tendo ou não tendo você está em casa”, concluiu.

 

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