OIT quer erradicar o trabalho infantil no mundo

16 junho 2006

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, durante as comemorações do dia mundial contra o trabalho infantil de 2006, destacou que o mundo está vencendo a luta contra a exploração de mão de obra de crianças e lançou uma campanha contra as piores formas de trabalho infantil.

No período de 2000 a 2004, o número de crianças trabalhando no mundo caiu de 250 milhões para 218 milhões. E a meta da OIT, é conseguir erradicar o trabalho infantil na mineração, que hoje envolve mais um milhão de crianças no mundo, dentre elas 400 mil na América Latina.

Eu conversei com o coordenador nacional para a eliminação do trabalho infantil da OIT, Pedro Américo Oliveira. Segundo ele, é errado pensar que o trabalho infantil é uma solução a pobreza.

“É importante que a gente tente romper com essa percepção de que para a criança pobre, ou para aquelas famílias que estão na situação de pobreza, o trabalho infantil é a saída porque existe sim ainda essa percepção, mas nós não percebemos que, de fato, o trabalho infantil pode até aliviar um pouco essa pobreza mas ela não vai conseguir romper com esse ciclo na medida que muitas crianças acabam ficando longe da escola”.

Segundo Pedro Américo Oliveira as consequências para as crianças que trabalham, são inversas ao desenvolvimento do país fazendo com que no futuro essas mesmas crianças não tenham chance de trabalhar em algo melhor que garanta-lhes mais qualidade de vida.

“Isso dificulta que ela chegue a fase adulta ou pelo menos na idade que se permite o trabalho em condições de buscar empregos decentes, trabalhos decentes, que possa garantir a proteção social mínima, que garanta o descanso semanal que é remunerado, férias,e sobretudo uma proteção social necessária”.

Pedro Américo diz que no Brasil, uma das formas de trabalho infantil que preocupam, é o trabalho doméstico. Crianças que cuidam de irmãos menores enquanto os adultos vão trabalhar. Em outros casos, elas trabalham na casa de terceiros como forma de ajudar no sustento da casa. A equipe da Rádio ONU contatou duas meninas que foram resgatadas do trabalho doméstico e hoje participam de ações de integração infantil da Obra Social São João Bosco, em Campinas, São Paulo. Mas vamos primeiro ouvir Maura, 16 anos, que aprendeu desde cedo a obrigação de gente grande.

“Minha mãe saía para trabalhar, minha mãe trabalhava de noite, e eu ficava com minha irmã de manhã, de tarde e à noite. Eu arrumava a casa, cuidava dela, trocava fralda, fazia comida, fazia tudo desde dos 9 anos de idade”.

Mas Maura não foi a única, Elenice, 16 anos também tem no seu passado muito trabalho e esforço, que segundo ela foram feitos para ajudar os pais.

“Eu cuidava da minha sobrinha, mas às vezes eu também trabalhava, trabalhava nos finais de semana de 15 em 15 dias e eu ganhava 10 Reais. Eu limpava a casa, eu varria a casa, passava pano na casa, limpava os móveis, limpava o fogão e depois ia embora”.

Hoje a Maura e a Elenice participam do grupo que as oferece aulas de computação, artes e tempo para brincar e fazer amigos. E suas famílias recebem o apoio financeiro para que não precisem mais que as meninas trabalhem.

“Quando eu entrei na obra, eles ensinaram várias coisas aqui dentro, como mexer no computador, como entrar na internet, eles faziam brincadeiras e qualquer brincadeira que eles faziam era boa, ‘da hora’, na minha vida de antes, eu só ficava cuidando das minhas irmãs, ficava na rua e cuidando da casa para ajudar minha família”

Segundo a OIT, apesar de uma queda de 11% no trabalho infantil no Brasil, ainda existem 2 milhões de crianças trabalhando no país.

 

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